BASF compra gigante farmacêutico suíço Ciba
A multinacional alemã Basf anuncia a aquisição da empresa química suíça Ciba por 6,1 bilhões de francos. De acordo com a empresa, serão pagos, em dinheiro, 50 francos por ação da Ciba, 32% acima da cotação de fechamento da última sexta-feira.
Depois de anos de tentativas pouco bem sucedidas de saneamento, a Ciba procura salvação nos braços da maior companhia química do mundo.
Na segunda-feira (15 de setembro) a multinacional alemão anunciou que pretende comprar a tradicional empresa de químicos especiais sediada na Basiléia por 6,1 bilhões de francos (2,8 bilhões de euros). Armin Meyer, presidente do conselho administrativo da Ciba, e o conselho executivo recomendaram aos acionistas da empresa aceitar a oferta. No preço de venda da Ciba estão também incluídos 2,2 bilhões de francos de dívidas.
Em 2006, a BASF havia comprado a produtora norte-americana de catalisadores Engelhard por mais de aproximadamente 5 bilhões de dólares (3,8 bilhões de euros), abrindo caminho para a maior aquisição da história de 140 anos da companhia. A Ciba seria a segunda maior compra.
A notícia provocou o aumento imediato das ações da Ciba na bolsa de Zurique: o valor do papel aumentou em 27% para 48,24 francos. Ao mesmo tempo as ações da BASF sofreram perdas de 5%, passando para 35,92 euros na Bolsa de Valores de Frankfurt.
“Com a compra da Ciba iremos reforçar o nosso portfólio e melhoramos a nossa posição de liderança na área de química especial com produtos e serviços para uma grande quantidade de setores da indústria”, explica o chefe da BASF, Jürgen Hambrecht.
O passo dado pela multinacional alemão segue sua estratégia de aumentar seu peso nesse setor de químicos que, em comparação com o setor de química de massa, tem margens maiores e está menos afeitos às flutuações do mercado. Também seu maior concorrente, a Dow Chemical, está seguindo os mesmos passos. A multinacional americana já anunciou que pretende comprar por 15 bilhões de dólares o fabricante de químicos especiais Rohm & Haas.
Armin Meyer pediu apoio para a proposta. “Essa transação se baseia em um preço justo para os nossos acionistas, oferecido por um proprietário preferencial para nos ajudar a enfrentar os crescentes desafios na nossa indústria”. Ao propor 50 francos por ação, a BASF estaria pagando um adicional de 32% sobre cada papel em relação às ultimas cotações da empresa. “O financiamento está garantido”, declarou o chefe do conselho administrativo.
Cortes esperados
A aquisição da empresa suíça não será uma tarefa fácil para a BASF. Como julgam os avalistas, a Ciba está em dificuldades depois de uma turnê desastrosa de compras e o preço crescente das matérias-primas nos mercados externos. Sobretudo a alta dos derivados de petróleo, que aumentaram seus custos. A empresa transforma esses derivados em pigmentos e aditivos plásticos, sendo a maior produtora de coloração para plásticos do mundo.
Em meados de agosto, ela chocou a bolsa após anunciar baixas contábeis de 595 milhões de francos suíços nas operações de tratamento de papel e água, suas principais divisões. Com isso, o prejuízo do período foi de 606 milhões de francos. Sua direção também havia reportado a possibilidade de venda de um terço da empresa.
O chefe da BASF, Hambrecht, já declara que pretende continuar o saneamento da Ciba, sobretudo na área de produtos químicos para a fabricação de papel. “A Ciba é um caso de reestruturação”. Através da integração com a BASF, as atividades da empresa suíça serão reforçadas e recebem uma perspectiva de longo prazo. A Basiléia continuará sendo um local importante de produção e investimento. Detalhes sobre possíveis demissões ou fechamento de fábricas não foram revelados pelo executivo alemão. Em 2007, a Ciba chegou a ter uma renda operacional de 13,9% e a BASF, 18,2%.
Rumores sobre processos de fusão e aquisição envolvendo a Ciba já existiam desde a divulgação do balanço da empresa referente ao segundo trimestre deste ano, quando a companhia informou que buscava esse tipo de operação para fortalecer suas unidades.
swissinfo com agências
Ciba é uma das três companhias criadas através da fusão da Ciba-Geigy e Sandoz em 1996. Inicialmente ela se chamada Ciba Specialty Chemicals, mas encurtou seu nome no ano passado.
O grupo com sede na Basiléia fornece colorantes e pigmentos para a indústria têxtil, automobilística, de cosméticos, plásticos, papel e construção civil.
Ciba anunciou em 2006 que iria cortar 2.500 empregos, o quarto corte em cinco anos. Em 1° de janeiro, o principal executivo, Armin Meyer, renunciou ao cargo, mas continuou como presidente do conselho administrativo.
O portfólio da BASF, empresa química líder mundial, O portfólio da empresa abrage desde tintas e vernizes, produtos químicos, plásticos, produtos de performance, para agricultura e química fina (humana e animal), até óleo crú e gás natural.
O grupo tem 95 mil empregados e atua em 170 países.
Na primeira metade de 2008, a empresa teve um volume de vendas da ordem de 32 bilhões de euros (US$ 46 bilhões), 10% a mais do que no mesmo período do ano passado. O lucro líquido na primeira metade do ano – 2,5 bilhões de euros – esteve 20% acima dos números de 2007
Em 2006, a BASF comprou a produtora norte-americana de catalisadores Engelhard por mais de 5 bilhões de dólares, abrindo caminho para a maior aquisição da história de 140 anos da companhia
No Brasil a BASF conta, atualmente, com centros de produção em: Camaçari(BA), Guaratinguetá(SP), Jaboatão (PE), Mauá (SP), São Bernardo do Campo (SP) e São José dos Campos (SP).
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