Navigation

Natal o ano inteiro

José e Maria talhados e pintados pelos artesãos de Brienz. swissinfo.ch

Seja verão ou inverno, os marceneiros da Huggler-Wyss produzem durante todo o ano as mais belas figuras de presépio da Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 01. dezembro 2004 - 14:40

Porém nos últimos anos as vendas estão em baixa. A maior dificuldade para os artesãos é modernizar uma tradição centenária.

“Se no passado os clientes compravam duas ou três figuras para completar o seu presépio, hoje em dia eles compram apenas uma”, contra triste Rudolf Thomann, chefe da pequena empresa de marcenaria Huggler-Wyss AG.

Figuras de presépio são consideradas hoje em dia um luxo e nesses tempos de crise econômica esses são os primeiros itens a serem cortados na lista de natal, mesmo num país como a Suíça.

Essas peças não são também muito baratas: a Maria custa 120 francos (US$ 104) e uma pequena ovelha 48 francos (US$ 42), como exemplo. Enquanto isso, produtos vindos da China como um presépio completo com 12 figuras de plástico não chegam a custar mais do que 40 francos (US$ 34) nas grandes lojas.

Os marceneiros dessa pequena empresa de Brienz, um pequeno vilarejo no cantão de Berna (parte central da Suíça), vendem metade das suas figuras para revendedores em todo o país. A outra metade pode ser comprada nas duas lojinhas da cidade.

Escolha variada

Numa vitrine em Brienz são exibidos diversos presépios fabricados pela Huggler-Wysss. Um deles chama-se “Christmas”, outros “Palestina”, “Luz de velas” ou “Noite de Cristo”. Esse último é o mais conhecido na Suíça e também o mais antigo: foi fabricado em 1915.

As figuras podem ser encomendadas em diferentes tamanhos: pequenas ou grandes. Para igrejas na Suíça ou no exterior, a empresa pode fabricar até mesmo tamanhos especiais.

Não existe um cliente típico para as figuras de presépio. “Nós temos compradores que podem ser pessoas simples como até os milionários”, explica Rudolf Thomann, que administra os negócios da empresa há quase vinte anos. Sua esposa é a bisneta de Johann Huggler, mais conhecido como o “rei” dos talhadores de madeira de Brienz.

A metade da clientela é formada por pessoas religiosas. Para elas, ter um presépio em casa é uma forma mais atrativa contar as histórias bíblicas para as crianças durante o natal.

“Eu acredito que muitos dos nossos compradores cresceram com presépios em casa. Tudo está relacionado com uma espécie de nostalgia e lembranças da infância”, matuta Thomann.

Acompanhar as modas

Na Huggler-Wyss, as histórias de natal são sempre adaptadas e as figuras redesenhadas para acompanhar os tempos modernos.

Para Thomann, na época os pastores que iam para o estábulo eram pessoas à margem da sociedade. Para modernizar, hoje em dia eles poderiam ser dependentes de drogas ou ladrões. Porém existe um limite para a fantasia. Nesse negócio o que conta são as vendas.

“Um punk no estábulo?”. Por razões comerciais, os marceneiros de Brienz nunca fariam figuras assim. A razão é simples: - “Figuras de presépio representam um mundo perfeito, por isso não gostamos de experimentar demais e colocar elementos muito alternativos”, constata Thomann.

Entre os animais, ele oferece ovelhas, cachorros, burros e até camelos. Porcos não estão no catálogo, mas elefantes sim.

“Nós não sabemos se os três Reis Magos estavam montados em camelos, cavalos ou elefantes quando eles chegaram em Belém”.

Uma figura que nunca muda é a Maria. Ela permanece vestida de azul e só muda na sua posição: daquela que abençoa para a que reza, com a criança no seu colo ou ajoelhada. Porém uma imagem completamente sagrada já não tem muita procura. Ela foi retirada do catálogo.

O gosto dos clientes mudou nos últimos anos e deve ser atendido. Há seis anos o rei negro era sempre exibido de calças curtas. Porém as pessoas se perguntavam: - “Como pode existir um rei de calças curtas”. Agora essa figura é vestida com um longo manto.

Do pedaço de madeira até a figura final

O que não mudou na fabricação de figuras de presépio é o material utilizado. A pequena empresa familiar de Brienzen só utiliza madeira de tília, que é envelhecida durante anos em depósito.

Esse material é ideal para a talha de figuras, pois não dispõe de uma estrutura marcante. A madeira é macia e boa para trabalhar, como explica Christoph Suter, um aprendiz no quarto ano.

Ele está talhando seu 11o dromedário do dia, porém sua preferência são os burros ou elefantes. Uma série completa tem no mínimo 15 peças. Em cima da sua mesa podem ser vistas diversas ferramentas, usadas durante esse trabalho especializado.

Antes das figuras chegarem na pintura, elas são talhadas pelo marceneiro na madeira. O trabalho é feito também através de máquinas de precisão. Assim surgem as primeiras formas dos reis ou animais.

Os detalhes finos são realizados pelos aprendizes, que necessitam muitas vezes até quatro horas. Um profissional só precisa de metade do tempo. No final, a figura chega nas mãos da pintora.

Yvonne Albori trabalha há 18 anos como pintora de figuras. Ela necessita concentração para terminar um batalhão de pastores, dos quais a metade só recebeu metade das cores. “O que eu mais gosto de fazer são os pequenos detalhes como mãos ou olhos”.

É sempre natal

Nas vésperas do natal a produção foi dobrada. Apesar da crise, em todas as famílias suíças existe uma necessidade: falta um rei no presépio, o cachorro roeu uma figura de animal ou a criança deu sumiço no Jesus.

Em janeiro a empresa faz uma pequena pausa. Logo depois recomeça o trabalho, pois o natal de 2005 se aproxima.

swissinfo, Gaby Ochsenbein
traduzido por Alexander Thoele

Breves

A empresa Huggler-Wyss AG tem vinte empregados: 10 marceneiros e talhadores, 2 pintores e 2 aprendizes.

Há três anos vinte funcionários foram demitidos pela redução nas vendas.

Huggler-Wyss é o maior talhador de madeira e líder no mercado de presépios.

A empresda vende presépios em 37 variações: as figuras têm entre 12 e 63 centímetros.

End of insertion

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.