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De soldado da UDC a ministro da Defesa

Ueli Maurer sairá da sombra para os refletores do governo Keystone

Expoente da ala mais conservadora da União Democrática do Centro (UDC), Ueli Maurer foi eleito quarta-feira (10) pelo Parlamento, como novo membro do Conselho Federal, o governo federal suíço.

Este conteúdo foi publicado em 10. dezembro 2008 - 14:34

Ela vai ocupar o Ministério da Defesa e dos Esportes, substituindo Samuel Schmid, que renunciou ao cargo depois de ter passado oito anos no governo.

Apesar de ter dito claramente que não estava interessado a entrar no governo, Ueli Maurer foi eleito pelo Parlamento e ocupará o Ministério da Defesa e Esportes. Ex-presidente da União Democrática do Centro (UDC) - maior partido do país e o mais à direita dos grandes partidos - Maurer é um fiel escudeiro da ala mais conservadora da UDC.

"O que conta é a decisão do partido: se a UDC pretende voltar ao governo, estou pronto para esse desafio", declarava no final de novembro em entrevista ao jornal Tages Anzeiger.

Em março último, Maurer havia deixado a presidência do partido para se dedicar à atividade como deputado federal e trabalhar como consultor em comunicação.

Poucos meses depois, sempre por lealdade ao partido, aceitou dirigir a seção de Zurique que, segundo ele, é a via a ser seguida pelo partido.

Infatigável

Maurer tem uma formação comercial e contábil e seus amigos dizem que ele é um grande trabalhador, totalmente dedicado à causa do partido. Foi presidente nacional do partido durante 11 anos, período em que a UDC aumentou sua base eleitoral de 14 para 29%, tornando-se o maior partido suíço, implantado em todas as regiões.

O novo ministro conseguiu ainda impor a todo o partido a ala mais conservadora simbolizada pelo seu líder histórico, o ex-ministro Christoph Blocher. Em parte graças à batuta de Maurer, a UDC criou 12 novas seções estaduais (cantonais) e 600 seções locais.

Para angariar novos membros e eleitores, a UDC dá cursos de formação política e tem um discurso recorrente, simples e direto, uma das chaves de seu sucesso, segundo os especialistas.

Sombra de Blocher

Seus críticos o apresentam como simples executor sob as ordens de Christoph Blocher e por isso foi apelidado de Ueli, der Knecht (Ueli, o servo), também chamado de "clone de Blocher".

Em uma recente entrevista, Maurer explicou a divisão de papéis com o líder histórico da UDC, afirmando que Bloquer é o estrategista político e que seu papel era, de um lado, obter a necessária aceitação dos temas a serem debatidos e, de outro, elaborar a forma de apresentar esses temas à opinião pública.

Como exemplo, disse que foi dele a escolha do cartaz da campanha eleitoral do ano passado, em que carneiros brancos expulsavam da bandeira suíça um carneiro negro.

Pronto a colaborar

Segundo o presidente do Partido Democrata Cristão (PDC), Christoph Darbellay, "existem dois Ueli Maurer: um é o personagem pragmático, inteligente, simpático, com quem se pode discutir tranquilamente; o outro é duro, dogmático e defende unicamente os interesses de seu próprio partido. Um dos dois é compatível com a função no Conselho Federal."

Maurer mostrou-se muito duro sobretudo nos últimos confrontos internos do partido, defendendo a exclusão dos ministros Samuel Schimid (que ele agora vai substituir) e de Eveline Widmer-Schlumpf depois que esta aceitou a eleição no lugar de Blocher, no ano passado, como ministra da Justiça e Polícia.
Essa decisão provocou uma divisão na UDC e os dissidentes fundaram então, em 2008, o Partido Burguês Democrático (PBD), ao qual aderiram Widmer-Schlumpf e o demissionário Samuel Schmid.

Apesar disso, o novo ministro Maurer, antes da eleição, prometeu trabalhar para o bem do país, mesmo se for para contradizer a posição oficial do partido. "La colegialidade não é um problema, faz parte do nosso sistema político. Estou pronto a colaborar de maneira construtiva com Eveline Widmer-Schlumpf, a defender o engajamento externo do exército e a livre circulação de pessoas". A UDC é contra o engajamento do exército em missões de paz no exterior e contra a extensão do acordo de livre circulação das pessoas com a União Européia (EU).

Mais cuscuz que raclete

Filho de um agricultor, casado, pai de seis filhos com os quais gosta de passar seu tempo livre, Ueli Maurer se define como um patriota: passa férias exclusivamente na Suíça, um de seus livros prediletos é "Heidi" e entre as músicas que mais ouve está o hino nacional suíço.

O novo ministro refuta categoricamente a etiqueta de racista: "no nosso partido não há espaço para extremistas. Minha mulher nasceu em Gana, temos muitos amigos negros e em casa comemos mais cuscuz que raclete", afirma Maurer.

Ele explica que, "em política, quem não usa expressões fortes não tem qualquer possibilidade de chamar a atenção. Se falo que a criminalidade aumenta, os jornalistas ignoram. Se digo que a criminalidade de estrangeiros aumenta, instantaneamente me escutam".

swissinfo, Andrea Clementi

Ueli Maurer

Ueli Maurer nasceu em 1° de dezembro de 1950 em Wetzikon, cantão (estado) de Zurique. Depois de uma aprendizagem comercial, obteve o diploma de contador e trabalhou na cooperativa agrícola Hinwil-Bauma. Em 1994, foi nomeado diretor da Associação dos Concidadãos de Zurique.

Sua carreira política começou em 1978, como vereador em Hinwil (estado de Zurique). Cinco anos depois, foi eleito para o parlamento estadual, que presidiu entre 1990 e 1991. Em 1991, foi eleito deputado federal e em 1996 para a presidência nacional da UDC, União Democrática do Centro.

Sua carreira política é marcada por duas derrotas: em 1991, não conseguiu se eleger para o governo de Zurique, batido pelo atual ministro Moritz Leuenberger. Em 2007, foi derrotado para o Senado por Verena Diener, do Partido Verde Liberal.

Em 2008, Ueli Maurer deixou a presidência da UDC, assumindo apenas a da seção de Zurique.

No exército tem o galão de major.

É casado e pai de seis filhos.

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União Democrática do Centro (UDC)

Apesar do nome, a União Democrática do Centro situa-se à direita dos demais grandes partidos suíços. Fundada em 1971 da fusão outros dois partidos que defendiam os interesses dos agricultores e dos artesãos, a partir dos anos 90 a UDC teve um forte crescimento tornando-se o partido mais importante no Parlamento.

No programa do partido estão, entre outros temas: a defesa da neutralidade helvética, menor presença do Estado, restrição nas leis sobre os estrangeiros e de asilo, refutar uma eventual adesão à União Européia (apóia somente acordos setoriais em benefício da economia).

Em 2003, a UDC obteve uma segunda vaga no governo com a eleição de seu líder, Christoph Blocher. Em 2007, Blocher não foi reeleito e sim sua colega de partido Eveline Widmer-Schlumpf. Por ter aceito a eleição, ela foi posteriormente expulsa do partido.

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