Partido suíço lança campanha controversa

Uma campanha de cartazes lançada quatro semanas antes de uma votação para tornar a cidadania suíça mais fácil para os imigrantes gerou polêmica ao associar uma mulher de burca com o slogan “Naturalização descontrolada? Não à naturalização facilitada".

Este conteúdo foi publicado em 10. janeiro 2017 - 09:00
swissinfo.ch/fh
O novo cartaz apareceu nas estações ferroviárias na segunda-feira twitter

O cartaz é a mais recente criação da agência de publicidade suíça Goal, responsável por outras campanhas de propaganda contra estrangeiros e muçulmanos financiadas pelo Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão). A imagem mais conhecida da agência é a de uma ovelha branca expulsando com um coice uma ovelha negra de uma bandeira suíça, usada em uma campanha para a deportação de criminosos estrangeiros.

A campanha de cartazes para a deportação das "ovelhas negras" foi considerada racista por partidos de esquerda e grupos de imigrantes Keystone

O jornal inglês “Financial Times” recentemente apelidou o chefe da Goal, Alexander Segert, de "guru publicitário da nova direita europeia".

Em uma entrevista com o jornal, Segert defendeu o trabalho da agência. "As campanhas mais controversas que fizemos para o SVP levaram a uma participação muito maior dos eleitores. É muito melhor que as pessoas fiquem vermelhas de raiva e vão votar do que calmas sem sair de casa", disse.

A campanha de cartazes mais recente poderia inflamar o que tem sido um debate relativamente tranquilo sobre a questão dos procedimentos de naturalização simplificados para os chamados estrangeiros de terceira geração. Os suíços vão decidir a questão em 12 de fevereiro.

O cartaz foi encomendado por um comitê contra a iniciativa encabeçado pelo parlamentar Andreas Glarner, do SVP. "A burca é um símbolo da falta de integração", disse ao jornal “20 Minutes” na segunda-feira. "A radicalização pode ser observada até nos jovens muçulmanos que nasceram aqui."

Os apoiantes da iniciativa chamaram o novo cartaz de "campanha suja".

"A burca não tem nada a ver com as pessoas que poderiam se beneficiar da naturalização facilitada", disse Rosmarie Quadranti, do Partido Democrático Cristão (PDC), ao jornal 20 Minutes.

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Para o SVP, facilitar o processo de obtenção da cidadania suíça poderia encorajar netos de pessoas mal integradas na sociedade - até mesmo jihadistas - a se candidatarem à nacionalidade suíça. Sobre o assunto, o partido suíço – o maior do país - está lutando não só contra o governo, mas também contra todos os outros partidos políticos importantes, os cantões, as cidades e a comunidade empresarial.

Estima-se que 24.600 estrangeiros poderiam atualmente pedir o passaporte suíço pelo procedimento simplificado, mas segundo os especialistas apenas uma minoria deles se interessa em se tornar suíço.

Votações sobre a cidadania são geralmente muito emocionais na Suíça. Três propostas anteriores para facilitar a naturalização fracassaram nos últimos 35 anos.


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