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Espanha é a legítima campeã do mundo

Andres Iniesta, autor do gol vitória. Keystone

Final decepcionante, mas vitória merecida. A imprensa suíça é unânime em elogiar a primeira estrela na camisa da "Roja".

Quanto a essa primeira Copa do Mundo em terra africana, todos destacam a execelente organização e as dúvidas sobre as consequências positivas a longo prazo.

“742 dias depois da final da Eurocopa, a final do Mundial teve um mesmo vencedor”, afirma o Le Matin, de Lausanne. “O triunfo da Roja recompensa a melhor equipe, a que tem os melhores jogadores a serviço do jogo coletivo e que cultivam a arte de acariciar a bola.”

Mesmo assim, praticamente todos os jornais se dizem decepcionados com nível da final. Para o jornal de Berna Der Bund e para o Tages Anzeiger de Zurique, a final “não teve o nível de uma Copa do Mundo.” Até os espanhóis “não jogaram realmente como os melhores do mundo e, mesmo assim, ganharam dos holandeses, que só destruíram o jogo.”

Campeão do mundo dos corações

O Neue Zürcher Zeitung, de Zurique, fala de “uma final sem brio” e lembra que se a Espanha marcou apenas oito gols e sofreu dois durante toda a Copa, o discreto “campeão do mundo dos corações” foi a Alemanha, terceiro lugar depois de um jogo muito bom em que venceu o Uruguai (3 a 2). A Alemanha marcou 16 gols na Copa e sofreu cinco, lembra o jornal.

Para o 24 Horas e a Tribuna de Genebra, essa “final tensa foi marcada por faltas grosseiras e oportunidades perdidas.” Apesar de tudo, “ela consagrou a equipe que, há dois anos, honra o esporte de qualidade técnica e coletiva.” A Espanha campeã do mundo “é uma justa recompensa, como se diz no cinema e na literatura, pelo conjunto da obra.”

Quanto ao holandes, “ao escolher a intimidação como primeira manobra de dissuasão com um jogo duro e às vezes lamentável” eles “injuriaram a própria tradição que, desde os anos 70, sempre teve times interessantes.”

Família laranja

“Ninguém pode questionar o título a esta equipe da Espanha”, um time que, por ironia da história, deve alguma coisa à Holanda, afirma o Basler Zeitung, de Basileia. Isso porque o jogo sedutor da Roja deve muito ao Barcelona e ao homem que, 30 anos atrás, formou esse estilo de jogo coletivo e ofensivo: Johan Cruyff.

O La Liberté, de Friburgo, também analisa essa filiação, em uma final “entre dois adversários que tinham uma respiração comum da escola holandesa.”

Mas a Espanha “depositária do jogo defendido desde os anos 1970 pela colônia holandesa do Barça, como Michels, Cruyff, Van Gaal e Rijkaard, traiu parcialmente sua herança.“ Seu triunfo teria sido “mais saboroso se obtido com melhores resultados. Esse título seria então uma homenagem aos românticos cabeludos que encantaram a Europa e o mundo há 40 anos.”

Conclusão do jornal de Friburgo: “na família laranja ampliada, agora é a Espanha quem provoca a chuva e, principalmente, tempo bom.”

E a Suíça?

Evidentemente, alguns jornais, entre eles o Blick, de Zurique, e o Le Matin, de Lausanne, destacam que a Suíça foi a única seleção capaz de derrotar a Espanha na Copa do Mundo. É uma pena que ela não conseguido ganhar de Honduras.

“Esportivamente, esse Mundial não trouxe grande coisa de bom. As estrelas decepcionaram, o que demonstra que no ciclo anual de um grande jogador, a Copa do Mundo não é uma prioridade. E as equipes africanas, com exceção de Gana, mostraram-se longe da Europa e da América do Sul, desorganizadas e caóticas”, segundo o Blick.

Para o La Regione Ticino, do sul da Suíça, além do triunfo da Espanha, essa Copa marca uma vitória do presidente da Fifa, Sepp Blatter, e de sua “ideia louca de colocar a caravana opulenta do Mundial nas estradas poeirentas de uma África do Sul que se revelou acolhedora e à altura de um evento planetário que ela teve o privilégio histórico, e provavelmente único, de acolher.”

Fogo de palha?

Para além do balanço esportivo, a maioria dos jornais faz uma última análise sobre o país organizador e do que se pode esperar de consequências positivas do evento.

Para o Le Matin, é um “sucesso para toda a África.” Mesmo se as seleções africanas decepcionaram, “o continente negro soube nos seduzir além dos clichês, ganhando um respeito que não tem preço.”

“Missão cumprida” também para o Le Temps, de Genebra. ”O mapa africano tem agora um formidável instrumento de marketing, embora a realidade continue sendo outra. Na organização não houve um único grão de areia, mais ou menos como o que viu nos gramados. Paradoxalmente, esse primeiro Mundial africano foi menos euforizante do que a Copa na Alemanha, em 2006.”

Uma outra questão

“A África do Sul foi um bom país de acolho, amigo, relax, cheio de devoção que, como a manchete de um jornal local «Yes, South Africa can», escrevem o Bund e o Tages-Anzeiger.

Os dois jornais acrescentam agora podem subsistir somente “dez estádios que custaram bilhões ao lado de favelas, como um sonho de uma vida melhor. Eles só podem ser símbolos de aspirações frustradas, porque os problemas desse país são tão grandes que uma visita de um mês da elite do futebol não poderia mudar muita coisa.”

swissinfo.ch com agências

1930: Uruguai
1934: Itália
1938: Itália
1950: Uruguai
1954: Alemanha (RFA)
1958: Brasil
1962: Brasil
1966: Inglaterra
1970: Brasil
1974: Alemanha (RFA)
1978: Argentina
1982: Itália
1986: Argentina
1990: Alemanha (RFA)
1994: Brasil
1998: França
2002: Brasil
2006: Itália
2010: Espanha

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