Consumo recorde de cocaína em cidades suíças

O alto poder aquisitivo é um dos fatores que leva ao grande consumo de cocaína na Suíça. Keystone/Martin Ruetschi

Cinco cidades suíças estão na ponta do ranking das cidades europeias onde mais se mais consome cocaína. Dentre os fatores: a política liberal do país em relação às drogas e o alto poder aquisitivo da população. É o que explica o centro nacional de pesquisa do uso de narcóticos Vício Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 07. fevereiro 2019 - 14:39
Keystone-SDA/RTS/ts/kr/sm

Os especialistas calculam que aproximadamente cinco toneladas de cocaína são consumidas por ano na Suíça. O tráfico gera negócios da ordem de 330 milhões de dólares, calculou o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência. As cidades suíças ocupam cinco dos primeiros lugares no ranking do consumo na Europa.

Segundo a Vício Suíça, a cocaína chega no país através de redes originadas da África Ocidental. Já a heroína é importada e comercializada através de quadrilhas albanesas, com uma quantidade estimada de circulação da droga de 1,8 a 2,5 toneladas por ano. "Entorpecentes podem ser encontrados nas cidades com facilidade e rapidez", acrescenta o estudo, intitulado "Panorama do Vício em 2019".

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"Os produtos legais também são baratos e encontrados por todas as partes. Eles podem ser comprados 24 horas por dia em qualquer esquina, lojas, postos de gasolina, automáticos, quiosques, casinos e inclusive através da internet", relata. Mas mesmo as opções mais baratas resultam em custos sociais elevados: anualmente os problemas ligados às dependências, seja em entorpecentes ou jogos, resultam em mais de 11 mil mortes e custos sociais de 14 bilhões de francos.

Vício Suíça afirma que a indústria do álcool, tabaco e de cassinos têm pressionado o Parlamento e o Conselho Federal (n.r.. Poder Executivo) contra mais regulamentos para o mercado. Especialistas das áreas de saúde clamam por "medidas corajosas" como a proibição de produtos mais baratos, menos publicidade e horários de abertura de lojas mais curtos.

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As vendas de álcool se beneficiam das leis particularmente liberais na Suíça, considera o centro, acrescentando que seria possível reduzir os problemas relacionados ao consumo de álcool através de um aumento drástico dos preços. "Mas parece faltar vontade política para tomar essas medidas, enquanto os custos sociais do álcool são estimados em pouco mais de 4,2 bilhões de francos por ano", lamenta o porta-voz.

O mesmo vale para o tabaco: o número de fumantes permaneceu na marca de 25% dos adultos no país durante os últimos sete anos. O tabaco é responsável por 9.500 mortes por ano na Suíça. Só em 2017 foram vendidos 9,6 bilhões de cigarros.

A maconha continua a ser a substância ilegal mais consumida no país. Uma modificação em 2011 nas leis vigentes permitiu a comercialização de maconha com menos de 1% de tetra-hidrocanabinol, (THC). Já a erva com concentrações mais elevadas de THC continua ilegais. A Vício Suíça recomenda a adaptação da legislação nacional às novas tendências internacionais em relação à legalização da droga, como observada nos países da América do Norte.

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