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A história picante do Toblerone (II)

Cartaz publicitário para os shows do Folies Bergère em Paris. www.foliesbergere.com

Formato triangular do toblerone nasce em Paris, quando Theodor Tobler deliciava-se com a apresentação das famosas dançarinas do teatro Folies Bergère.

Toblerone é uma empresa do grupo Astria: 166 mil funcionários que atuam no mundo inteiro, um faturamento de 20 bilhões de dólares (2002) e um lucro líquido de US$ 4,36 bilhões.

Quase todos os fãs do toblerone imaginam que a forma triangular do chocolate é inspirada no “Matterhorn”, uma das mais famosas montanhas dos Alpes suíços, com 4.478 metros de altura. Inclusive a montanha é um dos símbolos impressos na embalagem.

Porém existem também outra versão picante da história.

O toblerone nasce em 1867, quando Jean Tobler abre a “Confeitaria Especial” num bairro popular de Berna. Em 1899, a demanda pelos produtos era tão grande que o confeiteiro suíço resolve transformar a loja artesanal numa fábrica: surge então a “Fabrique de Chocolat Berne, Tobler & Cie.

O conhecido chocolate triangular só aparece em 1908, através de uma receita secreta de Theodor Tobler, filho de Jean Tobler, e de Emil Baumann, diretor de produção na época.

Inspiração embaixo das saias

Segundo relatos da época, o formato triangular do toblerone nasce durante uma noite animada em Paris do início do século XX, quando Theodor Tobler já havia tomado algumas garrafas de champagne e deliciava-se com a apresentação das famosas dançarinas do teatro Folies Bergère.

No final do espetáculo, as dançarinas sobem uma nas outras e formam uma pirâmide. Nesse momento Theodor Tobler tem a inspiração dos futuros milionários: – “Encontrei, encontrei a forma, ele gritou”.

Porém as dançarinas do Folies Bergère não eram apenas muito mulheres francesas muito bonitas e jovens. As más línguas contam que, grande parte delas, não utilizava nada por debaixo da saia.

Nesse caso, o triângulo que inspirou Tobler poderia ter sido um outro.

Expansão e depois destituição

Depois do sucesso da empresa, Theodor Tobler expande a empresa, montando centros de produção em outros países e exportando seus chocolates.

Depois da Primeira Guerra Mundial e a crise econômica subseqüente, a empresa alcança seus limites. Em 1933, Theodor Tobler é obrigado entregar as chaves da empresa endividada para os novos administradores.

A partir desse momento, Tobler vive uma série de transformações, resultados do processo de globalização que o mundo vai viver, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial.

Em 1970, Tobler fusiona-se com a outra conhecida empresa suíça de chocolates: Suchard. Dez anos depois, a empresa é fusionada mais uma vez com o gigante do café, Jacobs, surgindo a firma Jacobs Suchard Tobler. Em 1990 os jornais anunciam uma desgraça patriótica: a empresa é vendida para a multinacional Philip Morris, o maior produtor de bens de consumo do mundo, com sede em Nova Iorque.

Tobler é apenas um pedaço da Altria

O mais suíço dos chocolates é uma das melhores crias da globalização. Apesar de ser encontrado no mundo inteiro, Tobler é hoje uma ínfima parte das atividades da multinacional americana Altria, uma holding criada no início do ano para dar uma nova imagem a Philip Morris.

Essa multinacional não fabrica há muitos anos apenas cigarros, mas também alimentos e bebidas.

Para fugir da imagem negativa de vilão da saúde, seus acionistas resolveram rebatizar o nome do grupo de Altria. A holging, com um novo logotipo e visual, engloba não somente a Philip Morris USA e Philip Morris International, mas também Kraft Foods, o maior fabricante americano de alimentos no mundo. Astria tem 166 mil funcionários que atuam no mundo inteiro e um faturamento que, em 2002, foi de 20 bilhões de dólares e um lucro líquido de US$ 4,36 bilhões.

swissinfo, Alexander Thoele

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