Relatório sobre contas inativas de judeus°
Esperado relatório sobre dinheiro depositado em bancos suíços por judeus, vítimas do nazismo, foi publicado hoje, em Zurique, por Paul Volcker (foto), ex-presidente do FED. Com base no documento será partilhada uma soma de 1.25 bihão de dólares.
A chamada Comissão Volcker criada há 3 anos e meio tinha por missão vasculhar arquivos dos bancos suíços para definir contas inativas da época do nazismo. Chegou a conclusão de que os bancos helvéticos devem publicar nomes de mais 25 mil donos de contas bancárias com probabilidade de figurarem na categoria de vítimas do nazismo. Mas não chegou a resultados claros sobre montantes de dinheiro que pertenceriam a essas pessoas. Afirma porém que parte do US$ 1.25 bilhão que os bancos decidiram pagar como indenização deve satisfazer a exigências de titulares de contas identificadas pelos membros da comissão. São no total 53.886 nomes.
Uma primeira categoria reune 3.191 contas que correspondem praticamente a nomes de vítimas do nazismo.
A segunda engloba 7.280 contas de pessoas que viviam na Alemanha ou países ocupados pelos nazistas. A probabilidade de que pertençam a vítimas do holocausto é considerada muito grande.
A terceira categoria arrola 30.692 contas de pessoas que viviam na Alemanha ou Itália (países aliados na época). E a quarta compreende 12.723 contas estrangeiras abertas por vítimas do nazismo entre 1939 e 1945. A comissão Volcker vê uma ligação provável entre essas últimas contas com vítimas do regime de Hitler, mesmo se os titulares não figurem nas listas. A Comissão Federal suíça dos Bancos deve reagir até fim de março sobre as recomendações feitas em Zurique pondo fim a um esforço para resolver a controvérsia sobre as contas inativas de judeus.
O relatório é considerado um alívio para os bancos suíços ao concluir que não houve tentativa premeditada de esconder os haveres de vítimas do nazismo, nem destruição sistemática de documentos. Mas critica falta de sensibilidade de alguns estabelecimentos suíços principalmente diante de reivindicações de vítimas ou de seus herdeiros.
Esse relatório é resultado portanto de uma longa pesquisa realizada por uma comissão independente de 10 personalidades, chefiada por Paul Volcker, ex-presidente do FED, o banco central americano, sobre contas inativas em bancos suíços. (A escolha de Volcker foi feita por organizações judaicas – Organização judaica Mundial e o Congresso Judaico Mundial – e a Associação Suíça de Banqueiros. Ambos os lados designaram 5 membros da commissão). Com base no documento, a indenização prevista de 1.25 bilhão de dólares – segundo acordo entre as partes firmado em agosto do ano passado – deverá beneficiar vítimas do nazismo ou seus herdeiros. Uma decisão a esse respeito será tomada por um juiz de Nova York (Edward Korman), em princípio antes do mês de junho.
A Comissão Volcker vasculhou os arquivos de uns 60 bancos suíços que admitiam em 1966, no início da investigação, a existência de 26 milhões de dólares em contas inativas. A soma seria bem maior.
Uma outra comissão independente – reunindo 8 historiadores e um jurista – analisa as relações da Suíça com a Alemanha nazista e o destino de bens depositados na Suíça por vítimas desse regime e pelos próprios nazistas. Criada em dezembro de 1966 pelo Parlamento suíço, essa chamada Comissão Berger (do nome do historiador suíço que a preside) publicou um primeiro estudo em maio do ano passado sobre o comércio do ouro no período nazista. Sexta-feira ela deve publicar estudo sobre a política suíça em relação aos refugiados de 1939 a 1945. O documento final está previsto para 2001.
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