swissinfo visita quarto mais caro do mundo (II)
O Hotel Presidente Wilson foi comprado em 1989 pela família sudanesa Tamman, que chegou na Suíça em 1963. Apesar da diversificação dos investimentos, sua fortuna nasceu no comércio de peles de animais.
Um dos hóspedes habituais é a família real saudita. Na sua última visita a Genebra, ela chegou a gastar U$S 4,5 milhões por dia.
O Hotel Presidente Wilson foi comprado em 1989 pela família judaica de origem sudanesa Tamman, que chegou na Suíça em 1963. Segundo a revista semanal suíça L’Hebdo, sua fortuna é originária do comércio de peles de crocodilo e outros répteis.
Seus antigos proprietários eram nada menos do que a Swissair e Nestlé. Seu nome é uma homenagem ao antigo presidente americano Woodrow Wilson.
Em 1993, a família mandou construir um anexo do hotel, investindo 144 milhões de dólares. Três anos depois, o “novo” Hotel Presidente Wilson foi reinaugurado.
Na reforma não foi poupado dinheiro: suítes gigantescas foram construídas e um andar até aparelhado com vidros a prova de bala e sistemas de seguranças para os hospedes “VIPs”. Ao todo, 246 quartos e suítes estão à disposição dos clientes, em grande parte homens de negócio e asiáticos.
Suítes caras não tem preço fixo
Uma noite no hotel custa entre 350 e 2500 dólares. Suas três suítes especiais – “Présidentielle”, “Royale” e “Impériale” – não têm preços fixos. A tabela explica que eles são para serem discutidos.
Desde 2000, o hotel President Wilson, com cinco estrelas, faz parte do exclusivo clube “Luxury Collection of Starwood Hotels and Resorts”. Esse é grupo de hotéis e resorts oferecendo serviço de qualidade excepcional para uma clientela de elite.
Charles Tamman, da família dos proprietários, é presidente e gerente-geral do hotel President Wilson. Nascido em Cartum, no Sudão, esse poliglota poderia se contentar em ser o proprietário da casa, mas resolveu virar hoteleiro. Em Genebra ele é considerado um dos empresários que renovaram sua hotelaria, se especializando em atender uma clientela do Oriente Médio e Ásia.
Sua descrição do hotel faz qualquer jornalista pensar em castelos renascentistas: – “Nosso hotel é uma combinação de elegância com conforto moderno, para criar o ápice da luxo e refinamento”.
Receber parte da família real saudita
A família real saudita se hospeda no Hotel President Wilson. Ela é a alegria para seus gerentes e também para todos os comerciantes de Genebra. Sua vinda tem o mesmo efeito para a economia local, como se de repente chovessem dólares na cidade.
A última vez que a família real saudita esteve em Genebra foi em agosto de 2002. Nesse mês, o rei Fahd Ibn Abdulaziz Al Saud veio pessoalmente para realizar tratamento médico, acompanhado por uma comitiva de 300 nobres e serviçais. Para transportar a corte, foram utilizados os dois Boeing 747 particulares, mas o avião hospital.
Durante os dois meses de estadia em Genebra, a imprensa suíça calcula que a família real saudita gastou mais de U$S 4,5 milhões por dia, dinheiro que foi literalmente “torrado” nas boutiques de luxo de Genebra.
E na Arábia Saudita, o que não faltam são nobres. O rei Fahd, 82 anos é chefe da família dominante “As-Saud”, que tem aproximadamente 4 mil príncipes. Eles não são necessariamente filhos do monarca, mas sim descendentes do antigo rei Abdul Aziz Ibn Saud.
Para uma família que dirige à mãos de ferro um país que nada sobre o petróleo, custear as despesas do palácio imperial “Villa de l’Aube”, que durante vinte anos ficou vazia, mais as das centenas de familiares nos hotéis de luxo como o “President Wilson” não é um grande problema. A viagem de dois meses não representa mais do que um risco nas contas do Estado.
swissinfo, Alexander Thoele em Genebra.
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