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Dinheiro vem da cloaca

Elementos de concreto contendo o sistema "Rabtherm" em Wülflingen, Suíça.

(Rabtherm AG)

Engenheiro suíço cria tecnologia para retirar calor do esgoto. Patenteada, ela já é utilizada em cidades alemãs e suíças.

Em Zurique-Wipkingen, novo sistema fornece 40% da calefação de 800 apartamentos, escritórios e lojas e economiza mais de 540 mil litros de óleo.

A água escura e fétida que corre pelo sistema de esgotos das cidades é o produto do consumo diário nos banheiros, chuveiros e pias. Se para os prefeitos esse é um problema de saneamento, para Urs Studer ela é fonte de dinheiro.

O engenheiro suíço, que durante muitos anos trabalhou em pesquisa nos Estados Unidos e depois foi chefe de uma empresa com 400 funcionários, criou seu próprio negócio e hoje administra três empresas a partir do escritório de Zurique. Durante a experiência amealhada em vários projetos de porte, ele percebeu que ocorria um grande desperdício.

“A água que corre nos esgotos tem uma temperatura constante de 15 graus centígrados. Isso ocorre durante qualquer época do ano e ninguém havia pensado até agora em aproveitar esse calor”.

Por isso Studer desenvolveu um sistema para retirar o calor da água suja e reaproveitá-lo no aquecimento das casas. “A idéia é relativamente simples e a tecnologia também, podendo ser utilizada até mesmo nos países em desenvolvimento”, explica o engenheiro.

Aço inoxidável no esgoto

Quando a água potável chega nas residências e escritórios, sua temperatura se eleva até 25 graus devido sua utilização no chuveiro, no banheiro, na cozinha e ou apenas pela permanência na tubulação.

Ao ser utilizada, ele retorna ao sistema de esgotos e a temperatura volta a cair para 15 graus. “Apesar da queda, esse calor continua sendo uma permanente fonte renovável de energia”, ressalta Studer.

Para reaproveitá-la, o engenheiro desenvolveu uma tecnologia composta por receptores de calor, canos e bombas térmicas. Os receptores são duas placas de aço inoxidável com três metros de comprimento e dispostas paralelamente entre si. Três canos são acoplados e, entre as placas, um sistema de serpentina.

O conjunto é instalado no fundo dos canos de esgoto. A água suja passa por cima das placas e aquece a água que atravessa as serpentinas. Detalhe: ela não tem contato direto com esse sistema fechado. Depois de aquecida, o líquido é levado por pressão para bombas térmicas que elevam a temperatura até 65 graus. O resultado é água que os suíços recebem nas suas torneiras e chuveiros.

“O sistema economiza 20% do consumo de energia nas residências”, afirma Studer. “Se otimizado, ele pode economizar ainda mais”. Desde sua introdução no mercado, seis sistemas Rabtherm já estão em funcionamento: quatro em cidades na Suíça e dois na Alemanha.

Sistema funciona na Alemanha e Suíça

Em Wipkingen, um bairro de Zurique, 200 metros de canos preparados com os captores de calor Rabtherm fornecerão 850 kW de energia, ou seja, 40% do consumo necessário ao aquecimento de água e calefação de 800 apartamentos e escritórios recém construídos. O sistema permitirá uma economia de 540 mil litros de óleo combustível.

Em Leverkusen, Alemanha, 40 captores de calor foram instalados nos canos de esgoto de um centro comercial em construção. Quando estiver pronto, farmácias, academias de ginástica, clínicas e consultórios médicos estarão funcionando no prédio de 12.500 metros quadrados, batizado pelos realizadores de “Centro de Saúde”. O sistema de captação de calor custou meio milhão de Euros e irá suprir pouco mais de um quinto das necessidades energéticas do prédio.

Para Urs Studer, o invento tem um grande futuro. De acordo com um estudo encomendado a um consultor ambiental, o potencial de mercado para o aproveitamento do calor dos esgotos é imenso. Somente na Suíça, mais de mil sistemas poderiam ser instalados em diversas cidades de grande e médio porte. Na Alemanha o mercado é ainda maior: 10 mil sistemas.

“E mesmo na América Latina também existe um potencial para essa tecnologia”, acentua o engenheiro suíço. “Bariloche, na Argentina, também poderia aquecer suas casas com o calor dos esgotos”.

swissinfo, Alexander Thoele


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