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Empresariado pede posição mais dura do governo

O presidente da Economiesuisse, Gerold Bührer, durante uma coletiva de imprensa. Keystone

O influente lobby suíço do empresariado, reunido na federação Economiesuisse, conclamou o governo a resistir à pressão exercida por outros países.

A Suíça viveu sob ataque constante durante o ano passado, devido à questão do sigilo bancário na evasão fiscal. Na opinião dos seus membros, o país já cedeu bastante e deveria agora passar à ofensiva.

O duro posicionamento da comunidade empresarial espelha uma crescente impaciência com a liderança do país por parte da mídia e do público.

No ano passado, o governo suíço concordou em renegociar uma série de tratados fiscais com outros países, enquanto intermediava um acordo com os Estados Unidos para a entrega de informações confidenciais de clientes do banco UBS.

Uma longa contenda com a União Europeia relativa a incentivos fiscais para instalação de empresas continua sem solução, enquanto a Suíça está a um passo de ficar fora do mercado europeu de investimentos alternativos se não ceratas regras protecionistas.

O presidente da Economiesuisse, Gerold Bührer, declarou à swissinfo.ch que chegou a hora de fixar um limite. “Deveríamos ter mais disposição para passar à ofensiva comunicando a contribuição positiva da Suíça, particularmente com União Europeia”, diz. “Nós enfrentamos essas questões de forma demasiadamente defensiva.”

Ponto de vista hostil

Bührer acredita que os países vizinhos estão tentando transferir seus próprios problemas para a Suíça, devido a crise financeira e a recessão global.

“Se você observa o gigantesco débito de caixa nos outros países, é fácil entender porque seus ministros das finanças continuam a olhar a Suíça de uma forma bastante cética, até mesmo hostil”, explica. “Estamos lidando relativamente bem com nossas finanças públicas, enquanto outros países estão fazendo o contrário. E isso criou um ciclo de problemas.”

Mas Economiesuisse elogiou a mais recente estratégia do governo para combater as pressões feitas ao setor financeiro helvético. O ministro das Finanças, Hans-Rudolf Merz, afirmou que a Suíça não iria se curvar aos pedidos externos de intercâmbio automático de dados fiscais.

O recente discurso de Merz foi criticado por alguns setores por não apresentar uma solução definitiva para o impasse recente com a França e a Alemanha, quando os dois países adquiriram CDs com informações de contas de seus cidadãos em bancos suíços.

Mas Bührer acredita que essas questões só podem ser resolvidas mantendo uma estratégia central durante um período de tempo do que girando no ar uma varinha mágica instantânea. “Não podemos solucionar esses problemas de um dia para o outro simplesmente apresentando ideias”, afirma.

Bonificações

No entanto, Economiesuisse também conclama os bancos a assumirem mais responsabilidade no problema que criaram. Concretamente: rejeitando fundos oriundos de evasão fiscal, mas também exibindo mais humildade frente à indignação pública em relação aos pagamentos de bonificações a seus executivos.

Essa questão está sendo tratada atualmente pelo Parlamento e poderá ser decidida pelo eleitor através de um plebiscito. Um conhecido empresário apresentou uma iniciativa popular para colocar a política de remuneração das empresas nas mãos dos acionistas ao invés dos conselhos de administração ou de seus próprios diretores.

Economiesusise apoia a contraproposta mais branda do que a iniciativa original.

Ao falar durante o encontro anual da federação em Zurique para definir estratégias, tanto Bührer como Johann Schneider-Ammann – presidente do fabricante de máquinas e eletrônicos Swissmem – declararam que as empresas helvéticas estão se mostrando resistentes à recessão.

Os exportadores sofreram sérios revezes nas vendas e encomendas do ano passado, mas não perderam mercados para os competidores internacionais, relata Schneider-Ammann.

Mas Economiesuisse se preocupa que os governos possam colocar a recuperação econômica em risco através de barreiras comerciais.

“Temo que o clima geral na Europa ocidental e na Suíça seja de fechar os mercados”, afirma. “Queremos manter uma política bastante competitiva e de mercados abertos e que, no clima atual de desconfiança, pode ser muito difícil de alcançar.”

Matthew Allen, swissinfo.ch
(Adaptação: Alexander Thoele)

A Federação Suíça de Empresas foi criada através da fusão, em 2000, da Federação Suíça de Comércio e Indústria e a Sociedade para Promoção da Economia Suíça.

Seus membros incluem 100 associações de comércio e indústria, 20 câmaras de comércio cantonais e empresas individuais no setor financeiro, fabril, de publicidade, mídia, construção, engenharia, químico, farmacêutico, tecnologia e turismo.

Ela também trabalha em conjunto com a Associação Suíça de Empregadores.

A Economiesuisse representa os interesses de 30 mil empresas, com um total de 1,5 milhões de empregados.

Ela desempenha um papel importante na economia helvética ao representar o ponto de vista dos seus membros frente ao governo e ao público em geral.

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