Ouro "limpo": como a Suíça pode estabelecer novos padrões no beneficiamento

Andreas Gefe

A Suíça é um dos principais atores no comércio internacional de ouro: não só por refinar a maior parte do metal precioso no mundo, mas também por ser o principal exportador. Mas como garantir sustentabilidade na mineração e proteção dos direitos humanos?

Este conteúdo foi publicado em 26. maio 2020 - 12:00
Dominique Soguel-dit-Picard e Andreas Gefe (ilustração)

"Essa posição de poder global no mercado exige também responsabilidade. Afinal poucas pessoas sabem que a mineração de ouro não está isenta de riscos e problemas sociais ou ambientais", declarou Mark Pieth, professor de direito criminal da Universidade de Basileia, em um artigo publicado recentemente pela swissinfo.ch.

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Neste sentido, muitos especialistas consideram que a Suíça não atende as expectativas. Apesar dos esforços e discrição notória, as refinadoras instaladas no país são muitas vezes criticadas pelas ONGs de defesa dos direitos humanos e ambientais devido à pegada ambiental da extração de ouro, às condições de trabalho perigosas nas minas e à falta de transparência ao longo da cadeia de fornecimento. 

swissinfo.ch cobre o tema "ouro", pois é uma das matérias-primas, cuja comercialização está cada vez mais regulada, tanto no país como internacionalmente. A "Iniciativa de Negócios Responsáveis" foi lançada para incentivar que as multinacionais baseadas na Suíça levem em conta o impacto que suas operações nos países em que atuam e de responsabilizá-las pelas faltas cometidas. 

Não há uma estrutura internacional de regulação da indústria do ouro. A mais próxima é o "Guia da OCDE sobre o dever de diligência para canais de aprovisionamento responsáveis de minerais originários de zonas de conflito ou de alto risco". Essa iniciativa continua gerar uma ampla gama de iniciativas voluntárias. As leis nacionais abrangem a exploração e extração mineira. Já os regulamentos financeiros tratam da questão da lavagem de dinheiro. 

O ouro é um dos itens mais importante das importações e exportações do país. Segundo os números da alfândega suíça de 2018, metais e pedras preciosas representaram 25,2% das importações e 22,4% das exportações, logo depois de produtos químicos e farmacêuticos (34,3%). O comércio de matérias-primas representa aproximadamente 4% do PIB suíço. 

Uma longa história, futuro brilhante? 

De acordo com Pieth, a Suíça se beneficiou da neutralidade comprando grandes quantidades de ouro das potências aliadas e do Eixo durante a II Guerra Mundial. O Banco Nacional Suíço admitiu publicamente em 1996 ter tido lucros com as transações de ouro feitas com o banco central da Alemanha nazista durante o conflito. 

Nossa cobertura jornalística sobre o comércio de ouro aborda acontecimentos do passado, desafios do presente e as tendências futuras. Nos países onde o mineral é explorado, avaliamos as implicações da mineração industrial e artesanal. Analisamos também como funcionam as diferentes certificações e os esforços para trazer mais transparência à cadeira de fornecimento. 

Ao contrário de muitas outras matérias-primas comercializadas na Suíça, o ouro entra fisicamente, de fato, no país. Depois é armazenado e processado em suas refinarias. Qual a política defendida pelo governo suíço? 

E até que ponto os consumidores e eleitores suíços se importam? Os críticos da indústria do ouro acreditam que uma regulamentação mais forte já é esperada há muito tempo, enquanto os lobistas da indústria argumentam que o setor já aplica as melhores práticas do mercado.  

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