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Eles dariam a vida pelo Papa (II)

A Guarda Suíça perfilada na Praça de São Pedro em Roma: será que os escandâlos mancharam sua reputação? (foto: IRS)

Assassinatos, suicídio, suspeita de complô e espionagem no Vaticano: escândalos nos últimos anos quase abalam as estruturas da Guarda Suíça.

Se não houver um novo Papa, que tome outra decisão em 2006, a Guarda Suíça poderá comemorar seus quinhentos anos.

Apesar do passado glorioso, a Guarda Suíça já viveu grandes dificuldades e escândalos nos últimos anos. Muitos pensaram que ela fosse até acabar.

O primeiro susto foi vivido em 1970, quando o Papa Paulo VI cortou, com apenas uma assinatura, grande parte dos serviços de segurança que atuavam no Vaticano. Há centenas de anos eles competiam entre si pela tarefa de proteger a Igreja. Nessa decisão econômica, apenas a Guarda Suíça foi poupada.

O segundo susto foi umas das piores tragédias já vividas pela Guarda Suíça. O fato ocorreu em 4 de maio de 1998, quando o jovem suíço Cédric Tornay, um recruta de 23 anos, assassinou o recém-empossado comandante Alois Estermann e sua esposa, suicidando-se logo depois.

O crime provocou um grande mal-estar no Vaticano, que encerrou o caso depois de uma rápida investigação.

Apesar da discrição, a história acabou criando vida na imprensa mundial, com dois livros já publicados e mais dois a serem lançados.

A versão oficial, defendida pelo Vaticano com unhas e dentes, diz que o jovem suíço estava decepcionado com seu comandante pelo fato de não ter sido promovido. Num acesso de loucura, ele cometeu o crime.

A imprensa tem várias versões, uma mais aventurosa do que a outra.

Homossexualismo e espionagem

O inglês John Follain, ex-correspondente do Sunday Times em Roma, publicou sua história no livro “City of Secrets”. A obra conta que o jovem Cédric Tornay era homossexual e tinha um relacionamento com o comandante Alois Estermann.

O contato dos dois era conflituoso. O severo comandante preferia outro soldado e também se casou com uma mulher venezuelana para salvar as aparências.

Com os sentimentos feridos, a gota d’água para Tornay foi a recusa de Estermann de outorgar-lhe a tradicional medalha do mérito, uma condecoração entregue normalmente aos soldados que serviram três anos no Vaticano. O assassinato seguido de suicídio teria sido, enfim, um crime passional.

Outros jornalistas, como o documentarista alemão Christoph Felder, defendem a tese que Cédric Tornay foi, na realidade, vítima de uma terrível conspiração no Vaticano.

Para Felder, o mistério do crime está num conflito entre a direção do Vaticano e a Opus-Dei. O comandante Estermann era uma pessoa ligada ao grupo católico ultraconservador e queria aumentar sua influência em Roma. O jovem Tornay teria presenciado o assassinato de Estermann e sua esposa e foi, dessa forma, “apagado” como testemunha.

A mais recente hipótese foi levantada por um ex-juiz italiano, Ferdinando Imposimato. Em seu livro, o antigo magistrado afirma ter pesquisado nos últimos vinte anos as relações entre a Guarda Suíça e a Stasi, a polícia secreta da República Democrática Alemã.

Estermann teria sido recrutado pelos alemães comunistas ainda jovem. Quando este entrou para a Guarda Suíça em 1980, teria sido um pião precioso na preparação do atentado cometido contra o Papa, em 13 de maio de 1981. O assassinato teria sido uma vingança e o jovem soldado foi morto por estar no local errado na hora errada.

O Vaticano discorda com veemência de todas essas versões.

A reportagem se encerra no terceiro e último capítulo. Clique AQUILink externo para lê-la.

swissinfo, Alexander Thoele


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