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Basileia proíbe polêmico cartaz contra minaretes

Minarete da mesquita de Winterthur, norte da Suíça. Keystone

A campanha da iniciativa popular contra a construção de minaretes na Suíça começa causando irritações. O cantão de Basileia-Cidade proibiu a exposição do cartaz em espaços públicos por considerá-lo "racista".

Os defensores da iniciativa, que será votada em 29 de novembro de 2009, criticam a proibição. Também autoridades de outros estados e empresas de comunicação vêem a campanha com restrições.

Uma bandeira da Suíça perfurada por minaretes, com uma mulher envolta em uma burca preta em primeiro plano. Para o governo de Basileia-Cidade, o cartaz da iniciativa popular contra a construção de minaretes é demasiado provocador.

“O cartaz é racista”, disse André Frauchiger, porta-voz da Secretaria Estadual de Transportes e Obras, à agência de notícias SDA. Ele explicou que uma portaria estadual proíbe cartazes “que propagam objetivamente ideologias racistas, por exemplo, ao hierarquizar grupos devido à sua característica física ou cultural ou ao seu vínculo étnico, nacional ou religioso”.

Frauchiger salientou que o estado (cantão) avaliou cautelosamente a decisão. Consultas às autoridades estaduais de integração e igualdade de direitos teriam apontado que o cartaz deve ser classificado como “racista”.

Crítica à proibição

Na opinião de Lukas Reimann, deputado federal da União Democrática de Centro e membro do comitê da iniciativa popular, a proibição é um escândalo. “Em Basileia vivem muitos muçulmanos. A decisão mostra que as autoridades capitularam diante deles”, disse ao jornal 20min.ch.

Reimann já tem uma saída para contornar a proibição. “Então distribuiremos panfletos em todas as casas de Basileia e levaremos assim nossa mensagem às pessoas.”

Até agora, Basileia é a única cidade que proíbe os cartazes contra minaretes, que provocam discussões também em outras cidades. Em Berna e Zurique, o material publicitário ainda são foi submetido à avaliação das autoridades.

A decisão não é fácil. As prefeituras precisam pesar entre liberdade de expressão e respeito a minorias religiosas. Fora Basileia, somente Sankt Gallen (São Galo) tomou uma decisão: a cidade autorizou o cartaz – sem discussão.

Lucerna critica o cartaz. “Na opinião da Secretaria de Segurança, ele faz publicidade difamatória e denegridora para a proibição de minaretes”, segundo 20min.ch. Mas a Secretaria ainda hesita em proibi-lo, temendo que acabe colocando mais lenha na fogueira.

Parecer da CFR

Lucerna, Zurique e Winterthur solicitaram um parecer à Comissão Federal contra o Racismo (CFR) para facilitar a decisão das prefeituras. Esse parecer é esperado para o final desta semana.

O presidente da CFR, Georg Kreis, antecipou à agência de notícias AP, que a comissão considera a campanha prejudicial à paz social, mas não fará uma recomendação sobre como lidar com os cartazes.

Não só autoridades públicas, mas também empresas de comunicação consideram o cartaz problemático. O comitê da iniciativa contra os minaretes ainda não comprou espaços para publicidade na mídia.

O grupo Ringier, maior conglomerado editorial da Suíça, já avisou que não publicará o cartaz em que as torres de mesquitas se parecem com mísseis. “Ele iguala minaretes e o Islã com violência, o que é uma degradação. Por isso, rejeitamos esse anúncio”, explicou o porta-voz da Ringier, Stefan Hackh, ao portal bazonline.ch/Newsnetz.

A pedido da Comunidade de Trabalho Inter-religioso na Suíça (Iras Cotis), a agência publicitária Euro RSCG fez gratuitamente um cartaz para os adversários da iniciativa popular. O texto diz: “O céu sobre a Suíça é suficientemente grande. Não à intolerância. Não à iniciativa de proibição dos minaretes.”

swissinfo.ch com agências

A cidade de Lausanne também proibiu o polêmico cartaz da iniciativa contra a construção de minaretes.

“O cartaz transmite imagens racistas e perigosas”, informou o governo municipal, nesta quarta-feira (7/10).

A iniciativa popular “contra a construção de minaretes” foi lançada em maio de 2007 por um grupo conservador suíço.

O texto obteve 114.895 assinaturas de apoio, entregues dia 8 de julho de 2008 na Chancelaria Federal, em Berna.

Os promotores da iniciativa afirmam que querem conter a “crescente islamização de nosso país”, sem limitar a prática da religião muçulmana.

Ele argumentam que o minarete não tem nada a ver com o conteúdo da fé, mas é um símbolo de um “imperialismo político-religioso”.

O governo e o Parlamento suíços consideraram o texto válido para ser submetido a plebiscito, mas recomendaram claramente a rejeição pelos eleitores.

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