Livro enfoca início da história brasileira
Em "Nicolas de Villegnon ou a utopia tropical", o francês Serge Elmalan traça o destino de um homem que tentou um tipo de colonização original no Brasil em meados do século XVI.
Serge Elmalan, jornalista, 60 anos – “francês, de coração brasileiro” -, apresenta em 300 páginas a surpreendente epopéia de Villegagnon, aventureiro francês que fugindo dos transtornos europeus da época, quis instaurar uma “França Tropical” no Brasil.
Para o autor, a aventura de Villegnon representa o início de um diálogo França-Brasil, de uma “vertente francesa da cultura brasileira”. De sua experiência no País, deduz que o brasileiro “teria gostado de ter recebido como herança a cultura francesa”.
“Utopia generosa”
Teria, porque fracassou a sociedade que o aventureiro quis instaurar na região, há 450 anos. Uma sociedade baseada nas idéias da “Utopia” de Thomas Moore. Uma sociedade em que funcionasse verdadeira parceria com os indígenas antropófagos.
Villegagnon queria aproveitar o momento de utopia geral que definia bastante essa época do Renascimento, para implantar uma sociedade fora dos conflitos europeus – uma confederação de franceses e dos índios – , ou seja uma utopia. “Uma utopia generosa em que os índios não seriam perseguidos”, observa Elmalan.
Em entrevista a swissinfo, ele lembra que “a França nunca se lançou em aventuras ultramarinas que caracterizavam os espanhóis e os portugueses. Villegagnon realizou mais uma aventura humana e solitária. Não foi a França que tentou se instalar no Brasil”.
Viagem no tempo
Por outro lado, no livro, através da história do personagem, desfilam a Europa do século XVI e a Reforma Protestante. Ressurge um período importante da historia francesa, de guerras européias e personagens marcantes como Catarina de Médicis, Maria Stuart, Rabelais e Montaigne.
E, lembra Elmalan, em “A Tempestade”, o própria Shakespeare diz que “a colonização elizabethana do Novo Mundo se inspirou das colônias protestantes francesas que começaram com a chegada dos amigos de Calvino, em 1556/57. Eles fugiam da perseguição na França
Villegagnon por assim dizer “entrou numa fria”. Ele achava que a Reforma visava reformar a igreja católica, nunca imaginou tratar-se de um cisma. Toda uma confusão se seguiu, alimentando um conflito com Calvino durante 50 anos.
A obra de Serge Elmalan é, portanto, uma apaixonante viagem no tempo. Uma viagem de que destacamos apenas pequenas etapas ou simplesmente amostras.
swissinfo / J.Gabriel Barbosa
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