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Jovem suíça se destaca no movimento ecológico no Brasil

Desmatamento na região de Xapuri, Amazônia, em 30 de outubro de 2007. swissinfo.ch

A história de Esther Neuhaus, uma suíça que chegou ao Brasil em 2001 para atuar em movimentos ecológicos e sociais e lá criou suas raízes.

Este conteúdo foi publicado em 17. junho 2010 - 10:49

Para ela, a força do movimento socioambientalista brasileiro só tende a crescer.

Apesar de ainda enfrentar problemas como o desmatamento da Amazônia, o Brasil é reconhecido por possuir uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo. O engajamento do país nas últimas reuniões internacionais promovidas pelo ONU sobre o clima ou a biodiversidade, por exemplo, mostra a importância da agenda ambiental para a sociedade brasileira e para o governo. Fundamental para essa realidade é o dinamismo do movimento socioambientalista no Brasil, onde militam centenas de organizações com considerável poder de influência política e mobilização popular.

Um pouco da rica história desse movimento na última década foi vivido de perto pela suíça Esther Neuhaus. Chegada ao Brasil em 2001, a jovem nascida há 34 anos em Berna se aproximou de algumas organizações no país e atuou por quase sete anos como coordenadora-executiva do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente (FBOMS), uma das mais importantes entidades socioambientalistas do Brasil. Esther, que acaba de deixar o FBOMS, pretende agora aproveitar a experiência adquirida no Brasil para tentar outros vôos profissionais.

"Tive a oportunidade de trabalhar para esta rede que congrega mais de 600 organizações da sociedade civil, especialmente pequenas e médias ONGs ambientalistas e movimentos sociais. Esta experiência tem sido muito gratificante, pois me permitiu aprender muito sobre os processos de formação, implementação e monitoramento de políticas públicas voltadas para a questão ambiental, e sobre a necessidade de capacitação e qualificação das ONGs e movimentos sociais, atores importantes para a transformação social deste país", diz.

Esther participou de várias edições do Fórum Social Mundial que, segundo ela, "é a melhor plataforma global dos movimentos sociais, onde se discutem alternativas ao atual modelo econômico capitalista e neoliberal". A suíça também representou o FBOMS em eventos internacionais como as reuniões do Programa da ONU sobre Meio Ambiente e as Conferências de Clima, além de ter atuado na organização de um grande fórum global da sociedade civil em paralelo à Conferência da ONU sobre Biodiversidade, realizada em Curitiba (PR) em março de 2006.

"O contato diário com representantes da sociedade brasileira, a interlocução com autoridades governamentais e entidades intergovernamentais, assim como as viagens para os mais diversos países têm me permitido conhecer um mundo com ricos recursos naturais e culturais, mas grandes desigualdades e injustiças. Isto me motivou a me engajar ainda mais na defesa do bem público e dos interesses coletivos, contribuindo para a preservação ambiental, a transformação social e o desenvolvimento sustentável", diz Esther, que representou o FBOMS em eventos na Índia, nos Estados Unidos, na Venezuela, no Quênia, nos Emirados Árabes, no Peru, na Alemanha e na África do Sul.

A suíça atribui o sucesso de seu trabalho aos "seis idiomas nos quais consegue se comunicar" e também a sua experiência em jornalismo: "Entendo minha função como mediadora entre as diferentes culturas, construindo pontes entre Norte e Sul. Tento também seguir meus princípios no cotidiano, como, por exemplo, usar a bicicleta para ir ao trabalho, não comer carne vermelha, separar o lixo e tentar sensibilizar amigos e vizinhos sobre a importância do cuidado com o meio ambiente", diz.

Berna, Madri e Fortaleza

Após cumprir todo o ensino fundamental e secundário em Berna, Esther Neuhaus estudou Geografia na Universidade de Friburgo, com aulas em alemão e francês: "Durante o curso, aprofundei-me nas disciplinas de geologia, economia internacional, sociologia e ciências ambientais, tendo escrito minha monografia final sobre climatologia. Também, cursei jornalismo e ciências da comunicação na mesma universidade, realizando na minha monografia um estudo de caso sobre o maior jornal cubano, o Granma", conta.

Em 2001, Esther se fixou na Espanha para cursar pós-graduação em Informação Internacional e Países em Desenvolvimento na Universidade Complutense de Madri, com um trabalho sobre segurança e meio ambiente, além de cumprir estágio na UNICEF. Em Madri, começou a namorar um advogado paulista, mestrando em Direito da Informática na mesma Complutense.

"No final daquele ano, vim com ele para o Brasil para passar férias, fui ficando, ficando, nos casamos, e nunca mais voltei. O novo contexto cultural me inspirou muito, e queria contribuir para a transformação social e preservação ambiental junto à sociedade brasileira. Assim, comecei a procurar trabalho, morando em Fortaleza, Ceará. Inicialmente, ofereci os meus conhecimentos ambientais, de línguas e de comunicação a ONGs locais de forma voluntária", conta Esther, que hoje mora em Brasília e é mãe de dois filhos.

Aquecimento Global

Antenada com as discussões sobre o combate ao aquecimento global, Esther comenta a frustração com a última conferência da ONU sobre o clima, realizada em dezembro do ano passado em Copenhague: "A expectativa da sociedade civil global era que a conferência na Dinamarca pudesse chegar a um acordo justo, ambicioso e vinculante para reverter o aumento de emissões de gases de efeito estufa. Isto incluiria compromissos ousados dos países industrializados e também ações dos países em desenvolvimento, especialmente os grandes países emergentes que já estão entre os que mais poluem a atmosfera, como o Brasil", diz.

Esther lembra que a avaliação atual por parte de governos e da sociedade civil é que a próxima Conferência do Clima, a se realizar em Cancun (México) no final de 2010, não terá a força política necessária para grandes avanços: "Mesmo assim, não devemos perder as esperanças. A sociedade civil está mais mobilizada que nunca em relação à questão ambiental e climática. Cem mil pessoas manifestaram-se nas ruas de Copenhague para reivindicar um acordo ambicioso como resultado da conferência. No Brasil, centenas de pessoas foram às ruas durante os Dias de Ação pelo Clima organizados ao longo de 2009 para pedir medidas concretas do governo brasileiro e uma Política Nacional de Clima consistente", diz.

A força do movimento socioambientalista brasileiro, segundo Esther, só tende a crescer: "Os dirigentes políticos não podem ignorar esta enorme pressão e preocupação da sociedade com as mudanças climáticas. O Brasil será ainda palco, em 2012, da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que poderá representar um marco na discussão do futuro do regime de clima. Eu não perco a esperança".

swissinfo, Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro

Entrave

Em Brasília, Esther Neuhaus acompanhou de perto as políticas desenvolvidas durante o governo Lula pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ela tem uma opinião crítica sobre o período: “O governo Lula, como qualquer governo federal na história do Brasil, tem dado prioridade ao crescimento econômico do país, investindo em grandes obras de infra-estrutura, recentemente através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e consolidando uma pauta de exportação baseada em produtos de baixo valor agregado e que consomem muita energia e recursos naturais.

Em linhas gerais, a questão ambiental ainda é vista pelo Governo como entrave ao crescimento e ao desenvolvimento do país”, diz.

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