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Trabalhar na Suíça

Porque a Suíça necessita de mão-de-obra estrangeira

Os suíços têm bons salários e um grande poder aquisitivo. As condições de trabalho são atraentes para os trabalhadores estrangeiros em um país, onde a economia tem carência permanente de mão-de-obra especializada. No entanto há barreiras. 

Este conteúdo foi publicado em 09. junho 2021 - 13:24
Paula Troxler (ilustração)

Um pequeno país com muitas grandes multinacionais: a Suíça depende de talentos qualificados vindos do exterior. Quase um terço da mão-de-obra é de estrangeiros, indicam as estatísticas oficiais

Porém na última década aumentou a pressão para restringir o número de estrangeiros autorizados a se instalar no país. Os sindicatos temem que mais trabalhadores vindos de fora pressionem os salários e acirrem a concorrência. Grupos de direita vêem as restrições como parte de um movimento mais amplo para limitar um influxo de estrangeiros. "Não queremos que a Suíça tenha 10 milhões de habitantes", diz o presidente do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) Albert Rösti. 

Segundo o Acordo de Livre.Circulação de Pessoas firmado com a União Européia (UE), os trabalhadores originários dos países-membros - incluindo também a Associação Européia de Livre Comércio (EFTA) - podem trabalhar na Suíça. Já para cidadãos dos chamados países "terceiros" - dentre eles, Estados Unidos, China e Índia - a situação difere enormemente.

Depois que os eleitores aprovaram a iniciativa (projeto de lei levado à plebiscito após o recolhimento de um número minimo de assinaturas de eleitores) para limitar a imigração em massa em 2014, cotas foram reintroduzidas para cidadãos de países terceiros. Há cerca de 8.500 vistos de curto prazo e de residência disponíveis para cidadãos não europeus a cada ano. Estes são distribuídos aos cantões. As empresas que solicitam esses vistos para seus profissionais devem provar a impossibilidade de encontrar localmente um empregado com as qualificações exigidas.

Pesquisas mostram que a Suíça tem uma escassez de trabalhadores qualificados, especialmente em áreas como engenharia, informática e tecnologia médica. Um estudo do banco UBS estimou que a carência irá aumentar ainda mais em 10 anos. Alguns políticos também argumentam que, sem acesso fácil aos melhores talentos, as empresas podem partir para o exterior.

Enquanto isso, a Suíça continua sendo um dos lugares mais atraentes para se trabalhar graças aos altos salários e boas condições de trabalho. Muitos diplomados estrangeiros em universidades suíças, com qualificações buscadas no mercado de trabalho, lutam para encontrar empregadores dispostos a passar pelo processo de solicitação frente às autoridades de um visto de residência. E sem garantia de sucesso.

"Como resultado desta regulamentação, a economia perde quase três mil especialistas altamente requisitados a cada ano", lamenta Rudolf Minsch, economista-chefe da Economiesuisse, que representa o empresariado helvético.

Apesar das baixas taxas de desemprego, a mudança do atual sistema de cotas continua sendo politicamente controverso. 

No entanto, as perspetivas podem mudar. A pandemia revelou a escassez de mão-de-obra especializada em áreas-chave como a produção de vacinas. E deu impulso às várias propostas parlamentares para aliviar as restrições a trabalhadores estrangeiros e criar um sistema mais flexível de imigração.

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