Uma aventura africana foi o ponto de inflexão da diplomacia suíça

Há pouco mais de quarenta anos um ministro suíço das Relações Exteriores começava uma viagem de duas semanas através da África ocidental. A visita abriu um novo capítulo na história diplomática do país, apesar de ter provocado na época bastante controvérsia e debates acalorados sobre a neutralidade suíça e seu papel no mundo.

Este conteúdo foi publicado em 04. fevereiro 2019 - 11:10
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Pierre Aubert and his wife in Cameroon, January 19, 1979 StAAG/RBA/Reto Hügin

Era um domingo, 14 de janeiro de 1979, quando um avião decolou no aeroporto de Zurique em direção à Lagos, Nigéria. A bordo estava uma delegação comandada pelo ministro suíço das Relações Exteriores na época, Pierre Aubert. 

Durante quinze dias a delegação, que incluía funcionários graduados dos ministérios das Relações Exteriores e da Economia, visitaram Nigéria, Camarões, Upper Volta (hoje chamado Burkina Faso), Costa do Marfim e Senegal. 

Para Pierre Aubert, a viagem tinha uma grande importância: foi quando ele declarou, em 5 de janeiro de 1979, que os contatos da Suíça com os países africanos eram muito tênues. "Acreditamos ser importante por questões políticas e econômicas de retomar o diálogo com os países do continente", declarou na época. 

Série

Esse artigo faz parte de uma série dedicada à história da diplomacia suíça em colaboração com os arquivos do ministério suíço das Relações Exteriores (Dodis, na sigla em inglês). Dodis é um projeto baseado em Berna e tem como principal objetivo de arquivar e editar os documentos relacionados às relações exteriores do país.

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Além de ver a viagem como um gesto de boa-vontade em relação à África, o objetivo da viagem era de explica o foco da política externa da Suíça e ressaltar as posições do país em relação aos problemas enfrentados pelo continente. O programa da visita incluía encontros com signatários de vários países para discutir temas ligados à cooperação para o desenvolvimento e relações comerciais. 

Ponto de virada

No final dos anos 1970 os membros do Conselho Federal (gabinete de sete ministros que governam o país) haviam há pouco tempo começado a participar de viagens ao exterior. "Porém a viagem de Pierre Aubert foi considerada um marco", avalia Sacha Zala, diretor do Dodis. "As pessoas começaram a falar dos direitos humanos como parte da política externa da Suíça, um tema que até então era considerado um tabu para os ministros das Relações Exteriores. A política de neutralidade impedia os membros do governo de colocar em debate os direitos humanos, o que na época era visto como uma interferência na política interna de outros países."

A imprensa helvética foi a primeira a perceber a importância da viagem de Aubert à África e a polemica que causava entre os políticos em Berna. Já no seu início ela foi bastante tematizada nos jornais. Políticos criticaram o "dinamismo" do novo ministro ao integrar novos elementos à política externa suíça. Alguns chegaram mesmo a expressar o temor de que Aubert estaria se solidarizando muito abertamente à opinião de vários líderes africanos sobre o Apartheid na África do Sul.


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