Protesto pacífico vira crime? ONU alerta para caso em universidade suíça
Especialistas ligados à ONU criticam a condenação de estudantes que participaram de um protesto pacífico pró-Gaza na ETH Zurich e alertam para a criminalização de liberdades fundamentais.
+Clique aqui para ler as notícias mais recentes da Suíça
Dez especialistas da ONU expressaram preocupação com o julgamento, há alguns meses, de ativistas que participaram de um protesto pacífico por Gaza em maio de 2024 na ETH Zurich. Na terça-feira, em Genebra, eles denunciaram a criminalização das liberdades fundamentais.
Cerca de 70 estudantes pediram à ETH Zurich que se retirasse de todos os vínculos de pesquisa com o aparato militar-industrial de Israel. A universidade suíça, financiada com recursos públicos, apresentou uma queixa contra os manifestantes por invasão de propriedade.
Até outubro de 2025, o site da ETH Zurich afirmava que não existiam controles de uso final sobre o conhecimento trocado por meio de colaborações de pesquisa fundamental e que a potencial aplicação militar de seu trabalho não podia ser descartada.
Embora a Suíça tenha introduzido novas regulamentações de controle de exportação de dupla utilização em maio de 2025, elas não se aplicam à pesquisa fundamental. Assim, a responsabilidade parece ser amplamente delegada a pesquisadores individuais, sem uma supervisão institucional rigorosa.
Após os protestos, 38 estudantes foram condenados, incluindo 17 que decidiram recorrer. Decisões judiciais recentes mantiveram as condenações por invasão contra cinco estudantes, enquanto absolveram outros dois por motivos processuais. As decisões para os dez estudantes restantes ainda estão pendentes.
Os dez especialistas não falam em nome da ONU, mas são mandatados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra.
Adaptação: Fernando Hirschy
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.