Suíça estreia primeiro aplicativo de rastreamento da Covid-19

Um grupo limitado de usuários, incluindo membros das forças armadas, pessoal hospitalar e funcionários do governo estão atualmente testando o aplicativo Swiss Covid para smartphones. Keystone / Laurent Gillieron

O Parlamento deu o sinal verde para o lançamento ao público do SwissCovid, um aplicativo de rastreamento de contatos para ajudar a conter a pandemia do coronavírus.

Este conteúdo foi publicado em 09. junho 2020 - 17:06

Na segunda-feira, a Câmara dos Deputados acompanhou o Senado na aprovação de uma lei que estabelece a base legal do aplicativo, que utilizará ondas Bluetooth para permitir que os smartphones se comuniquem entre si de forma anônima. 

O sistema DP-3T foi desenvolvido pelos dois Institutos Federais de Tecnologia da Suíça, em Zurique e Lausanne, com os especialistas dos gigantes tecnológicos norte-americanos Google e Apple. 

O aplicativo armazena os dados dos smartphones dos usuários por 21 dias, permitindo que eles sejam notificados caso tenham entrado em contato próximo com pessoas infectadas. 

O uso do SwissCovid é voluntário e os dados coletados são armazenados em servidores descentralizados, alguns operados pelo estado, assim como outros pelo Amazon Web Services na Alemanha. 

Espera-se que o aplicativo seja disponibilizado ao público em geral no final de junho, servindo como uma ferramenta para prevenir uma potencial segunda onda de infecções de Covid-19 no país. 

A Suíça registrou até agora cerca de 31.000 casos de coronavírus e mais de 1.660 mortes relacionadas ao Covid-19, mas o governo tem diminuído gradualmente as restrições à vida pública, uma vez que o número de novos casos tem caído drasticamente. 

Ferramenta complementar 

O aplicativo faz parte da estratégia das autoridades sanitárias para rastrear todas as infecções, isolando pacientes e colocando em quarentena pessoas em risco após terem entrado em contato próximo com uma pessoa infectada - ou seja, a uma distância inferior a dois metros durante um período de pelo menos 15 minutos. 

As pessoas que são notificadas pelo aplicativo são solicitadas a consultar um serviço de informação para receber conselhos sobre como procurar tratamento médico e como proteger outras pessoas da infecção. 

As autoridades cantonais continuam a rastrear todos os casos relatados de coronavírus. 

Os pacientes são contatados por telefone para identificar e encontrar todas as pessoas que também possam ter sido infectadas. Eles são solicitados a entrar em quarentena e consultar um médico se desenvolverem sintomas e precisarem de cuidados médicos. 

Vigilância 

As críticas ao aplicativo vieram principalmente de alguns membros do Partido Popular Suíço (SVP/UDC) de direita, durante o debate de segunda-feira na Câmara dos Deputados. 

Thomas de Courten alertou contra um sistema de vigilância estatal que comprometeria a privacidade, dizendo que ele o lembrava do romance distópico de George Orwell, "1984". 

O Ministro do Interior Alain Berset, cuja pasta inclui a Saúde, tentou dissipar tal preocupação, dizendo que o uso do aplicativo SwissCovid era voluntário. 

Os especialistas esperam que pelo menos 60% da população instale o aplicativo em seus telefones celulares para gerar uma massa crítica de dados. 

As pessoas que testam positivo para o Covid-19 têm que ficar em casa e são elegíveis para benefícios financeiros em decorrência de ausência do trabalho, explicou Berset. 

Atualmente cerca de 60.000 pessoas na Suíça estão usando o aplicativo SwissCovid em caráter experimental e o retorno tem sido em sua maioria positivo, acrescentou ele. 

O governo planejou inicialmente introduzir o dispositivo de rastreamento sem criar uma base legal regulando os detalhes, incluindo o acesso a testes gratuitos para uma pessoa que recebe uma notificação sobre o aplicativo. Entretanto, no mês passado, o parlamento insistiu em um procedimento regular para uma lei.

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