Verdes liberais seduzem um eleitorado cada vez mais amplo

O presidente do Partido Verde Liberal, Jürg Grossen, na reunião dos delegados de seu partido em agosto de 2019 em Rueschlikon, pouco antes das eleições legislativas. Keystone / Melanie Duchene

Um ano após a onda verde que inundou o parlamento suíço, uma pesquisa mostra que o Partido Verde tende a perder eleitores, enquanto o Partido Verde Liberal ganha. O SVP continua sendo o maior partido do país, mas sua base eleitoral continua a sofrer erosão.

Este conteúdo foi publicado em 13. novembro 2020 - 17:00

Os Verdes deram um salto histórico no parlamento suíço nas eleições legislativas de 2019. O Partido Verde ganhou 17 cadeiras na Câmara dos Deputados e assim se tornou a quarta maior força política do país. Um ano depois, uma pesquisa de opinião realizada pela Sotomo mostrou que a força dos partidos permanece bastante estável: o Partido Popular Suíço (SVP, direita nacionalista) ainda ganha a maioria dos votos, seguida pelo Partido Socialista (PS, esquerda), o Partido Liberal-Radical (PLR, direita) e os Verdes (PV, esquerda).

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O SVP continua sendo assim o maior partido da Suíça, apesar de ter sido o grande perdedor nas eleições legislativas de 2019 (-3,8 pontos percentuais) e de sua base continuar a sofrer uma erosão com uma queda de 1,5 pontos percentuais nas intenções de voto no outono de 2020. Os Verdes se mantêm, mas estão perdendo eleitores (-1 ponto percentual), enquanto o Partido Verde Liberal (PVL, centro-direita) ganha 2 pontos percentuais. "Ao contrário dos Verdes, os Verdes Liberais ainda não parecem ter esgotado seu potencial de crescimento", observa o relatório da Sotomo. "O PVL pode reduzir a diferença e se tornar a sexta maior força política do país".

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Tsunami Covid-19

No entanto, o instituto de pesquisa aponta que o contexto mudou drasticamente desde o ano passado: a chegada do coronavírus alterou profundamente as preocupações dos eleitores. A pandemia é agora percebida por uma esmagadora maioria dos entrevistados (61%) como o desafio mais importante que a Suíça enfrenta. Entretanto, o clima, que foi o tema dominante nas eleições de 2019, permanece em segundo lugar (34%). As outras questões mais importantes diretamente relacionadas com o coronavírus são a economia, o desemprego e os salários.

A Sotomo observa que apenas as questões com uma ligação direta ou indireta com a pandemia ganharam importância. As grandes preocupações anteriores foram relegadas para segundo plano, tais como as relações entre a Suíça e a União Europeia, a imigração ou as aposentadorias.

"As eleições de 2019 ocorreram em um ambiente marcado por uma situação econômica extremamente estável", lembra a Sotomo. "A crise do coronavírus mudou significativamente a situação. Entretanto, essas novas prioridades não parecem ter alterado significativamente as intenções eleitorais".

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Prioridades mais claras para o SVP

Eleitores de quatro dos seis maiores partidos da Suíça vêem agora a pandemia como o desafio número um. Mas os partidários do SVP continuam preocupados principalmente com a imigração e os estrangeiros, enquanto os partidários dos Verdes estão cada vez mais preocupados com o clima. "Enquanto há um ano, 65% do eleitorado do SVP considerava a imigração como o desafio mais importante, agora este número caiu para 45%", relata o instituto de pesquisa. Esta é provavelmente uma das causas desta maior erosão da base do partido. O eleitorado do SVP parece não ter mais uma prioridade clara.

O Coronavirus é a principal preocupação dos eleitores nas três regiões linguísticas, mas esta tendência é ainda mais acentuada na Suíça de língua francesa (67%) do que na Suíça de língua alemã (58%) e no Ticino (59%), de língua italiana. Embora a segunda prioridade continue sendo o clima nas regiões de língua francesa e alemã, as mensalidades do seguro saúde e o desemprego dominam na parte de língua italiana.

A pesquisa foi realizada pelo instituto de pesquisa Sotomo em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão SRG SSR (da qual a swissinfo.ch faz parte). Um questionário foi enviado a 19.620 eleitores suíços entre 23 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro é de +/- 1,2 pontos percentuais.

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Adaptação: Fernando Hirschy

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