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Procurando trabalho Cada vez mais desempregados no exterior drenam o seguro desemprego da Suíça

O número de pessoas que se beneficiam das prestações do seguro desemprego suíço, enquanto procuram emprego na União Europeia, aumentou consideravelmente nos últimos cinco anos. Os estrangeiros que voltam para casa são os que mais aproveitam, de acordo com dados do governo analisados pelo jornal suíço SonntagsBlick.

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Em 2018, cerca de 28% dos subsídios de desemprego da Suíça pagos no exterior foram destinados a Portugal

(Keystone)

Quem perde o emprego na Suíça tem direito a um subsídio de desemprego sob certas condições. O seguro cobre 70-80% do salário até um certo limite, dependendo do cantão. Cada vez mais estrangeiros candidatos a emprego estão aproveitando a oportunidade. Cinco anos atrás, havia 1.530 pedidos para “exportar” as prestações do seguro desemprego, para 3.540 em 2018, de acordo com novos números da Secretaria de Estado de Assuntos Econômicos (SECO).

O jornal SonntagsBlick relata que poucas pessoas na Suíça estão cientes de um artigo da lei que permite que, tanto os desempregados estrangeiros, quanto os suíços “exportem” esses benefícios para um país da UE por até três meses. Registrando-se em um centro de emprego em outro país e atendendo a outros critérios, os desempregados podem receber os benefícios do seguro desemprego suíço enquanto procuram emprego fora da Suíça.

+ sobre os imigrantes ignorados pelo mercado de trabalho suíço

A maioria dos que utilizam a opção de exportação dos benefícios são estrangeiros retornando ao seu país de origem. "Se encontrar um emprego no mercado de trabalho suíço se torna difícil para eles, alguns candidatos a emprego acham que podem ter melhores chances em seu país de origem", disse o porta-voz da SECO, Fabian Maienfisch.

Em 2018, a maioria dos benefícios do seguro desemprego suíço pagos no exterior era para centros de emprego em Portugal. Cerca de 28% (1.003 pessoas) receberam aprovação para exportar os benefícios para Portugal, enquanto apenas 16% (575 pessoas) exportaram os benefícios para a Alemanha. O número é desproporcional, já que em 2018 os alemães deixaram mais a Suíça do que os portugueses (13.980 em comparação com 10.254).

Procurando explicações

Existem algumas possíveis razões para o aumento. Uma é que as perspectivas de emprego fora da Suíça melhoraram nos últimos anos, de acordo com Lucie Hribal, porta-voz do departamento de economia e emprego (AWA).

Houve também uma mudança na lei, há alguns anos, que eliminou a condição de que, para exportar os benefícios, era preciso procurar primeiro um emprego na Suíça. Hribal também aponta para o fato de que “a opção de exportar os benefícios para o exterior está se tornando mais conhecida entre os candidatos a emprego”.

Por que o dinheiro do desemprego suíço é pago a Portugal

Muitos trabalhadores estrangeiros podem reivindicar as alocações de desemprego em seus países de origem durante as pausas de inverno. Para cumprir a regulamentação sobre a livre circulação de pessoas, a Suíça é obrigada a cobrir esses custos. (SRF/swissinfo.ch) No ano passado, a Suíça pagou subsídios de desemprego para 27 mil pessoas que vivem no exterior. O montante foi de quase 200 milhões de francos. A maior parte do dinheiro vai para as pessoas que vivem perto da fronteira com a Suíça, na França, Itália ou Alemanha, que perderam seus empregos na Suíça ou se demitiram. Os trabalhadores estrangeiros estão se beneficiando com um regulamento da União Europeia relacionado à livre circulação de pessoas, que obriga a Suíça a contribuir com dinheiro para os países membros da UE. A Secretaria de Estado da Economia (SECO) da Suíça subestimou totalmente os custos desse sistema. A taxa de desemprego na Suíça aumentou para 5,1% - o pior resultado em seis anos - como consequência da alta do franco. Existem hoje cerca de 249 mil pessoas sem trabalho na Suíça, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). São 37 mil desempregados a mais do que no mesmo período do ano passado. Os últimos números da OIT mostram um aumento mais acentuado nas taxas de desemprego de estrangeiros e jovens de 15 a 24 anos.


swissinfo.ch/fh

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