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Desigualdades de acesso à vacina aumentam as tensões globais

Uma profissional da saúde queniana administra uma dose de vacina contra Covid-19 para uma mulher idosa em Nairóbi. Muitos países de baixa renda ainda estão esperando a entrega de vacinas. Keystone / Daniel Irungu

As autoridades de saúde mundiais intensificaram seus apelos por uma distribuição equitativa de vacinas. Um especialista de Genebra avisa que “o nacionalismo da vacina vai exacerbar as tensões geopolíticas”.

Este conteúdo foi publicado em 20. abril 2021 - 15:30
RTS/dbu

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aproveitou o Dia Mundial da Saúde na quarta-feira passada para lançar um apelo contra o aumento das desigualdades internacionais que aparecem na esteira da pandemia de Covid-19. O foco se direciona ao acesso global às vacinas e outros suprimentos médicos.

Embora alguns países de alta renda tenham administrado vacinas em grande parte de suas populações, muitas nações pobres ainda aguardam as primeiras doses. Uma situação que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, denunciou como uma “afronta moral" que gera uma "derrota em termos econômicos e epidemiológicos”.

“O nacionalismo vacinal vai exacerbar as tensões geopolíticas”, alertou Michel Kazatchkine, especialista em saúde global do Graduate Institute Geneva. Kazatchkine fez o comentário em uma entrevista recente à rádio pública suíça RTS. Kazatchkine participa do Painel Independente iniciado pela Assembleia Mundial da Saúde (WHA) para examinar a resposta global da saúde à pandemia. Ele também critica os países ricos que guardam as vacinas para si próprios, enquanto outros produtores, como China, Rússia e Índia, exportam doses para países de baixa renda.

A iniciativa global COVAX tinha como objetivo garantir o acesso equitativo às vacinas. Mas o esforço, Kazatchkine argumenta, foi interrompido porque os Estados Unidos inicialmente se recusaram a aderir e outros países europeus compraram doses por conta própria.

Mas o problema hoje, segundo Kazatchkine, é um “gargalo” na produção de vacinas. Um problema que ele diz não ter solução rápida, pois a construção de instalações de produção pode levar meses.

“O que está claro é que não estamos aprendendo lições do passado.”

Kazatchkine lamenta a falta de estratégia dos países ocidentais para lidar com a pandemia. Ele disse que em epidemias anteriores, foram especialmente a velocidade e a intensidade da resposta inicial que se revelaram fundamentais.

“Estamos obviamente diante de uma emergência e sob pressão. Os países estão se voltando para o interior e priorizando o bem-estar de suas populações. Eles não estão olhando para o quadro geral - além de suas fronteiras e em escala global”.

A questão do acesso equitativo às vacinas poderá ser discutida na 74ª Assembleia Mundial de Saúde (WHA) que ocorrerá em Genebra, entre 24 de Maio e 1 de Junho.

Adaptação: Clarissa Levy

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