Ministro brasileiro visita cantão de origem de sua família
Mauro Vieira visitou a cidade de Solothurn. A tataravó do Ministro das Relações Exteriores do Brasil emigrou do cantão de Solothurn para o Brasil no século XIX.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil visitou a cidade de Solothurn na terça-feira. Mauro Vieira se reuniu com seu homólogo suíço Ignacio Cassis para uma visita de trabalho. Os tópicos discutidos foram as relações bilaterais entre os dois países e a atual situação mundial.
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O local da reunião não é coincidência: Vieira tem raízes no cantão de Solothurn. Seus ancestrais vieram de Erschwil, na região de Schwarzbubenland. Eles emigraram de lá para o Brasil há 200 anos.
A tataravó de Vieira, Agatha Jeker, fez a longa viagem ainda criança, em 1819. Ela vinha de uma família que tecia linho para fora. “Eles também tinham uma vaca ou algumas cabras”, explica o historiador do vilarejo de Erschwil, Simon Lutz, para o canal público suíço SRF.
Nessa época, muitos emigrantes estavam buscando uma vida melhor no exterior. E eles também esperavam ter comida suficiente, explica Lutz. A Europa e outras partes do mundo sofreram com colheitas fracassadas e fome – as consequências de uma erupção vulcânica na Indonésia.
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Quando os suíços emigravam
Para a terra onde jorra leite e mel
A viagem de Agatha Jeker a levou de Erschwil para a Holanda, junto com outras 118 pessoas de Solothurn. Lá, um grupo de cerca de 2.000 pessoas da Suíça pretendiam embarcar em navios a vela. No entanto, alguns dos viajantes morreram de malária na Holanda. Outros morreram durante a árdua travessia marítima.
Após 69 dias, o navio que transportava os emigrantes de Erschwil chegou ao Brasil. De acordo com o historiador do vilarejo, muitas dessas pessoas estavam tão debilitadas pela viagem que acabaram morrendo também. Isso é confirmado por documentos nos arquivos estaduais de Solothurn.
Coleta para os emigrantes de Solothurn
Em seu novo lar, a cidade de Nova Friburgo, perto do Rio de Janeiro, os recém-chegados esperavam a terra prometida “onde jorra leite e mel”. Entretanto, essas expectativas não foram atendidas. Eles receberam lotes de terra para cultivar, mas arrancar a terra da mata foi uma tarefa árdua.
Por isso, a colônia de emigrantes de Solothurn entrou em contato com a Suíça e pediu ajuda. “O governo de Solothurn reagiu com cautela. Ele instruiu as igrejas a doar a coleta do domingo seguinte para os colonos de Solothurn. E os padres deveriam rezar uma missa para a colônia”, relata Tobias Berger, assistente de pesquisa nos Arquivos Estaduais de Solothurn, com base em documentos arquivados.
Mais tarde, o cantão enviou dinheiro. De acordo com Berger, no entanto, não está claro se o dinheiro chegou ao lugar certo no Brasil.
O que se sabe é que Agatha Jeker, de Erschwil, ficou no Brasil. Lá, o sobrenome Jeker se tornou Ieker. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, cujo nome completo é Mauro Luiz Ieker Vieira, disse em Solothurn que foi emocionante visitar a região de origem de sua família.
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“Descendentes de suíços quiseram por muitos anos esquecer sua tragédia”
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