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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, em Brasília, no dia 25 de maio de 2016

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O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse nesta segunda-feira que acompanha com preocupação a escassez de produtos básicos na Venezuela e ofereceu doar medicamentos para amenizar o que chamou de "sofrimento" dos pacientes do país caribenho.

"Temos acompanhado com apreensão os acontecimentos na Venezuela: a radicalização política, o aprofundamento da crise econômica e o contínuo agravamento da situação humanitária e dos direitos humanos, inclusive das prisões arbitrárias. Preocupa-nos o sofrimento do povo venezuelano devido ao desabastecimento alimentar, à hiperinflação e ao colapso da oferta de medicamentos", afirmou Serra, em um comunicado publicado na página do Itamaraty.

Em 2015, a Venezuela registrou uma inflação de 180,9% - a mais alta do mundo - e, em suas prateleiras, a população já sente a falta de 80% dos produtos básicos. Esse desabastecimento também afeta a oferta de remédios.

O governo de Nicolás Maduro nega que haja uma crise humanitária e está em uma queda de braço com o Parlamento, de maioria opositora. A Casa discute uma lei para declarar emergência no país e pediu ajuda à Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nessa linha, o Brasil está disposto a doar medicamentos básicos produzidos por laboratórios públicos, "entregando-os a organizações internacionais humanitárias que possam promover sua distribuição", acrescenta a nota divulgada pelo MRE.

Logo após assumir o Ministério no governo interino de Michel Temer, Serra anunciou uma guinada radical na diplomacia, a qual evitou, nos últimos anos, as críticas frontais ao governo Maduro, aliado do Brasil na região.

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