AFP

A candidata à presidência do Peru Keiko Fujimori, do Partido Força Popular, no ato de encerramento de campanha em Lima

(afp_tickers)

A campanha presidencial no Peru foi encerrada nesta quinta-feira com três candidatos com chances reais à eleição de 10 de abril: Keiko Fujimori (direita), que lidera as pesquisas, Pedro Pablo Kuczynski (centro), e Veronika Mendoza (esquerda).

Candidata da Força Popular, Keiko Fujimori escolheu Lima, seu principal reduto eleitoral, para o comício de encerramento da campanha, ao qual chega com 35% das intenções de voto.

O segundo turno está previsto para o dia 5 de junho caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos.

Keiko, 40 anos, filha do presidente Alberto Fujimori, reuniu seus partidários na esplanada do Estádio Monumental, um amplo espaço público utilizado tradicionalmente para shows de música pop na periferia leste de Lima.

A representante da Força Popular percorreu todo o Peru, visitando especialmente a zona rural, onde a lembrança da gestão assistencialista de seu pai ainda é muito viva.

Lima também foi o palco do último comício da candidata da Frente Ampla, Verónika Mendoza, que aparece em empate técnico com Pedro Pablo Kuczynski, da Peruanos pela Mudança, ambos com 15% das intenções de voto.

Mendoza reuniu seus partidários na Praça 2 de Maio, no centro de Lima, tradicional local de manifestações operárias e da esquerda peruana há 40 anos.

Pedro Pablo Kuczynski escolheu a cidade de Cuzco, a antiga capital do Império Inca, no sudeste do país, região onde precisa angariar votos para chegar ao segundo turno.

No total, dez candidatos concorrem à presidência para substituir - a partir de 28 de julho e por um período de cinco anos - o presidente Ollanta Humala.

No total, 23 milhões de peruanos estão habilitados a votar.

A partir desta sexta-feira estão proibidas reuniões ou manifestações públicas de caráter político, segundo a legislação eleitoral, mas a propaganda nos meios de comunicação está autorizada até o final do dia.

A campanha foi marcada pelo impedimento ou a renúncia de quase a metade dos candidatos, após a adoção da nova lei eleitoral, aprovada aos trancos e barrancos pelo Congresso e que sanciona com a eliminação os políticos que entregam doações, inclusive no dia da eleição.

Entre renúncias e expulsões, dos 19 candidatos que iniciaram a disputa, em janeiro, restam apenas dez.

Entre os impedidos estão César Acuña, empresário que doou dinheiro durante uma atividade de apostolado, e Julio Guzmán, que em fevereiro era segundo nas pesquisas e foi eliminado por descumprir normas administrativas nas primárias do seu partido.

Keiko Fujimori também foi investigada, mas se saiu bem porque, apesar de estar presente em uma atividade de campanha em que houve entrega de dinheiro, ela não o fez diretamente.

Até o próprio secretário-geral da OEA, Luis Almagro, advertiu para o risco de eleições "semi-democráticas" por culpa desta lei. O JNE e os organismos eleitorais esclareceram que não têm mais remédio que aplicar a lei, culpando o Congresso pelas "perversões" que gerou.

Em 10 de abril, os peruanos também elegerão os 130 parlamentares que integram o Congresso unicameral.

afp_tickers

 AFP