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(Arquivo) Analgésicos que contêm fentanil - uma droga sintética até 100 vezes mais potente do que a morfina -, fabricada ilegalmente são responsáveis ​​por um surto de mortes por overdose nos Estados Unidos, disseram as autoridades sanitárias nesta quinta-feira

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Analgésicos que contêm fentanil - uma droga sintética até 100 vezes mais potente do que a morfina -, fabricada ilegalmente são responsáveis ​​por um surto de mortes por overdose nos Estados Unidos, disseram as autoridades sanitárias nesta quinta-feira.

Em abril passado, a lenda do pop Prince morreu por uma overdose acidental de fentanil - pílulas viciantes e muitas vezes falsificadas cujo uso vem aumentando no país.

Um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelou "aumentos substanciais nas overdoses fatais envolvendo opioides sintéticos, impulsionados principalmente por mortes por overdose envolvendo fentanil" em vários estados desde 2013.

"Em contraste com o surto de overdose de fentanil de 2005-2007, quando as mortes se limitavam a alguns estados, a epidemia atual tem um alcance sem precedentes", disse o CDC no seu Relatório Semanal sobre Morbidade e Mortalidade.

O fentanil começou a ser utilizado como anestésico na década de 1960, e hoje é prescrito para a dor do câncer e outras doenças crônicas.

A oferta de versões ilegais dessa droga começou a aumentar rapidamente em 2013. Traficantes muitas vezes a incorporam em pílulas falsificadas ou a adicionam à heroína, o que pode matar o usuário ao paralisar o seu sistema respiratório.

Embora as mortes causadas pelo fentanil não sejam classificadas separadamente nos registos de dados nacionais, os pesquisadores do CDC conseguiram definir a extensão do problema através da análise de mortes por opioides sintéticos e de dados sobre confiscos policiais de medicamentos que deram positivo para o fentanil.

Os pesquisadores descobriram que os confiscos policiais de produtos com fentanil aumentaram 426% de 2013 a 2014.

Enquanto isso, as mortes por opioides sintéticos aumentaram 79% durante o mesmo período. Os pesquisadores concluíram que os confiscos de fentanil pela polícia "estavam fortemente correlacionados com o aumento do número de mortes por opiáceos sintéticos".

Não houve nenhuma alteração nas taxas de prescrição de fentanil que poderia explicar o aumento do uso e das mortes, segundo o relatório.

"A combinação de resultados entre os relatórios de estados mostra que o total de mortes por fentanil aumentou em 1008 entre 2013 e 2014, de 392 (2013) para 1.400 (2014)", disse o CDC.

Os estados mais afetados pela epidemia foram Massachusetts, Maine, New Hampshire, Ohio, Flórida, Kentucky, Maryland e Carolina do Norte.

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