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(Arquivo) Todos os estoques de sangue doado devem ser submetidos a testes para identificar o vírus zika, aconselhou a entidade reguladora de alimentação e saúde americana nesta sexta-feira, em meio a um aumento do número de casos da doença nos Estados Unidos

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Todos os estoques de sangue doado deverão ser submetidos a testes para detectar se estão contaminados pelo vírus zika, aconselhou nesta sexta-feira a agência reguladora de alimentação e saúde nos Estados Unidos, em meio a um aumento do número de casos da doença no país.

"Ainda há muitas incertezas a respeito da natureza e da extensão da transmissão do vírus zika", afirmou Peter Marks, diretor do Centro de Pesquisa e Avaliação Biológica da Food and Drug Administration (FDA).

"Neste momento, a recomendação para que todo o estoque de sangue seja testado ajudará na garantia da segurança do sangue disponível para todos os indivíduos que precisam de transfusão", acrescentou.

A medida revisa uma orientação da FDA emitida em fevereiro, que recomendou o teste do sangue doado apenas em "áreas com transmissão ativa do vírus zika", como algumas localidades da Flórida.

Mas agora, com o aumento de casos de transmissão sexual do vírus, e considerando que as pessoas infectadas muitas vezes não apresentam sintomas, salvaguardas ainda mais rigorosas são necessárias em todo o país, disse a FDA.

"A FDA está atualizando sua orientação após uma consideração cuidadosa de todas as evidências científicas disponíveis, consultas a outras agências de saúde pública, e levando em consideração as potenciais consequências graves da infecção pelo vírus zika para a saúde de mulheres grávidas e crianças nascidas de mulheres expostas ao vírus zika durante a gravidez", disse um comunicado da agência.

A infecção pelo zika é particularmente perigosa para as mulheres grávidas, visto que o vírus pode causar malformações congênitas em fetos em desenvolvimento, como a microcefalia.

Mais de 2.500 pessoas foram diagnosticadas com zika nos Estados unidos, e mais de 9.000 em territórios americanos fora do continente, como Porto Rico, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A maioria desses casos foi trazida por pessoas que foram infectadas durante viagens ao exterior.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 53 países ao redor do mundo relataram surtos de zika desde 2015.

Autoridades da Flórida anunciaram no final de julho seus primeiros casos de zika transmitidos localmente, e atualmente há registros de 43 infecções.

"O teste do sangue doado já está ocorrendo na Flórida e em Porto Rico, bem como em outras áreas, e tem mostrado ser benéfico para a identificação de doações infectadas com o vírus zika", disse o comunicado da FDA, acrescentando que a medida estará em vigor até que o risco de contágio por transfusão seja reduzido.

Transmissão sexual

O zika é transmitido principalmente pela picada do mosquito , mas também por contato sexual.

Os CDC anunciaram nesta sexta-feira o primeiro caso conhecido de um homem que tinha zika sem saber, visto que não apresentou sintomas, e que infectou sua parceira durante o sexo sem proteção.

Quatro em cada cinco pessoas que contraem o zika não apresentam os sintomas comuns da doença, como febre, dor nas articulações e olhos vermelhos.

"À medida que novas informações científicas e epidemiológicas sobre o vírus zika se tornaram disponíveis, ficou claro que medidas de precaução adicionais são necessárias", disse Luciana Borio, cientista-chefe da FDA.

"Estamos emitindo orientações revisadas para implementação imediata, a fim de ajudar a manter a segurança do suprimento de sangue dos Estados Unidos", completou.

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