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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, no dia 22 de junho de 2016

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O presidente Nicolás Maduro disse nesta terça-feira (5) que "o poder militar tem que continuar aumentando na Venezuela, durante as comemorações oficiais pelo dia da independência.

Diante de milhares de integrantes da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), Maduro justificou a necessidade de "um poder militar cada vez mais forte (...) cada vez maior", para enfrentar uma "guerra não convencional".

O presidente se referiu nesses termos ao que denuncia como um boicote à economia por parte da oposição - incluindo empresários - apoiada por setores de poder dos Estados Unidos que buscam derrubá-lo.

"O poder militar tem que seguir aumentando", declarou Maduro após o tradicional desfile da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) no Passeio Los Próceres, no oeste de Caracas.

Milhares de homens, acompanhados por blindados, desfilaram pelo Passeio Los Próceres, em meio ao sobrevoo de helicópteros e de aviões de combate e transporte de tropas.

Ao fazer a chamada para aumentar o poderio militar, Maduro lançou contra Henry Ramos Allup, presidente do Parlamento de maioria opositora, por suas duras críticas ao alto comando castrense.

"Não se meta com os soldados, não se meta com os sargentos, não se meta com os capitães. Meta-se comigo, que sou o comandante chefe desta Força Armada. Covarde!", repreendeu o presidente a Ramos Allup após o habitual desfile das tropas.

A comemoração da Independência se converteu em um novo cenário de combate entre o governo e a oposição na Venezuela, que promove um referendo revogatório contra Maduro, eleito para o período 2013-2019.

Ramos Allup tem criticado os comandantes militares e alertado que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) apronta uma sentença para barrar o referendo revogatório do mandato de Maduro.

Segundo Ramos Allup, a "qualquer momento" o TSJ - acusado de ser o escritório de advocacia do governo - determinará outro recolhimento de assinaturas para ativar o referendo.

No dia 13 de junho, Maduro apresentou ao TSJ uma queixa de fraude no recolhimento de assinaturas para ativar o referendo.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) exige do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que o referendo seja realizado este ano e, em caso de derrota de Maduro, que haja eleições.

Caso o referendo ocorra após o dia 10 de janeiro de 2017, Maduro poderá designar seu sucessor.

O CNE deverá anunciar em 26 de julho se a MUD conseguiu validar 200 mil firmas solicitando o referendo revogatório, que segundo Maduro será impossível realizar em 2016.

Rompendo com a tradição, o presidente venezuelano não assistiu a sessão especial que a cada ano realiza a Assembleia devido a festa nacional.

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