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Yoshinori Ohsumi, premiado com o Nobel de Medicina, participa de coletiva de imprensa, em Tóquio, no dia 3 de outubro de 2016

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O japonês Yoshinori Ohsumi, premiado com o Nobel de Medicina por sua contribuição para a compreensão da renovação celular, afirma sempre ter evitado os campos de pesquisa mais populares entre os cientistas.

"Não gosto de competir. Eu me divirto fazendo o que outros não fazem, mais do que fazendo o que todo mundo quer fazer", declarou durante uma coletiva de imprensa em Tóquio após o anúncio do seu prêmio.

O pesquisador afirmou ter se "surpreendido" quando o secretário do júri, Thomas Perlmann, lhe telefonou antes do anúncio.

"Era meu sonho quando eu era criança, mas deixei de pensar no Nobel desde que me tornei pesquisador", acrescentou o pesquisador, de 71 anos de idade, com óculos sem armação e barba branca sem bigode.

Ohsumi é o 25º japonês a ganhar um prêmio Nobel, e o quarto a obter o de Medicina, segundo meios de comunicação do Japão.

O pesquisador atuou a maior parte de sua carreira de biólogo na Universidade de Tóquio, onde realizou experimentos sobre o processo da autofagia que se mostraram cruciais para compreender a renovação das células, o envelhecimento e a resposta do corpo à fome e às infecções.

O processo autofágico está implicado em várias afecções, como o câncer e as doenças neurológicas.

Essa pesquisa "não chamava muita atenção no passado, mas agora estamos em um momento em que há um maior foco sobre isso", disse Ohsumi diante das câmeras da rede pública de televisão NHK.

"Quando comecei meus trabalhos há 27 anos, havia 20 artigos [sobre o tema], [agora] talvez haja 5.000", acrescentou.

Perguntado durante a coletiva sobre os cortes financeiros para a pesquisa científica básica no mundo todo, disse estar "preocupado".

"É divertido trabalhar sem saber para onde estamos indo. É difícil saber o que pode levar a um resultado. Espero que a sociedade se preocupe pacientemente com a pesquisa básica", afirmou.

Nascido pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial na cidade de Fukuoka (sudoeste), na ilha meridional de Kyushu, onde seu pai era professor de engenharia, Ohsumi cresceu em um entorno universitário.

Ao escolher a carreira, Ohsumi, o mais jovem de quatro irmãos, estava inicialmente mais interessado em química, mas mudou seu foco para a biologia molecular, de acordo com uma entrevista de 2012.

Ohsumi recebeu um PhD pela Universidade de Tóquio em 1974, e passou vários anos na Universidade Rockefeller, em Nova York, antes de voltar para o Japão, no final dos anos 1980. Desde 2009, é professor do Instituto Tecnológico de Tóquio.

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AFP