Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot, em Brasília, no dia 28 de outubro de 2016

(afp_tickers)

O procurador-geral da República Rodrigo Janot se disse "estupefato" com as emendas propostas pelos investigadores da Lava Jato, em uma nova escalada da guerra de poderes no Brasil.

"Estou estupefato com o que passou no Brasil. A votação na Câmara significou dizimar o projeto das dez medidas. Nada sobrou", declarou na quinta-feira, em mensagem enviada ao Ministério Público, falando da ilha chinesa de Hainan, onde participa de uma reunião de procuradores-gerais dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de quarta-feira uma iniciativa que permite acusar juízes e procuradores de abuso de autoridade.

Para os procuradores, este projeto representa "o começo do fim da Lava Jato", que investiga o esquema de corrupção entre empresários e partidos para financiar a política e aumentar fortunas pessoais mediante leilões ilícitos em obras da Petrobras.

Janot se disse "mais estupefato ainda" com a tentativa frustrada do presidente do Senado, Renan Calheiros, de submeter à aprovação do Senado ainda na quarta-feira, mediante um procedimento de urgência, as polêmicas medidas.

"Tenho me perguntado por que é que isso aconteceu. Não quero crer que um presidente de poder tem abusado do poder, no sentido de obter a legislação de abuso de autoridade. Não quero crer que um presidente de poder tenha utilizado a sua cadeira e a sua caneta para obter vantagem para si próprio", declarou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) debate nesta quinta-feira se acolhe uma denúncia contra Renan Calheiros, das doze que pesam contra ele e que em muitos casos vêm se arrastando há anos.

Calheiros (PMDB-AL) é um aliado de peso do presidente Michel Temer.

O choque entre poderes se intensificou às vésperas de um acordo de delação premiada entre a Justiça e a Odebrecht, a empreiteira mais envolvida no escândalo na Petrobras, para obter o depoimento de mais de 70 executivos em troca de uma redução de suas eventuais condenações.

Estima-se que mais de uma centena de políticos possam estar envolvidos nas acusações daquela que em Brasília já chamam de "a delação do fim do mundo".

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP