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Manifestantes protestam contra a utilização de glifosato, em Bruxelas, no dia 18 de maio de 2016

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A União Europeia (UE) voltará a se reunir no dia 6 de junho para definir o futuro do glifosato, cuja autorização de uso por 9 anos está bloqueada devido às dúvidas envolvendo suas consequências para a saúde humana, indicaram diferentes fontes à AFP.

Esta será a terceira tentativa da UE para definir o futuro no bloco desta substância ativa utilizada nos herbicidas.

Na semana passada, a Comissão Europeia, que propunha renovar a autorização por 9 anos, desistiu de submeter à votação sua proposta diante da indefinição dos Estados membros.

O mesmo ocorreu em março, quando propunha renovar a autorização por 15 anos.

O comitê de especialistas que deve decidir o futuro do glifosato, amplamente utilizado pela indústria agrícola, composto por representantes dos 28 países da UE, voltará a se reunir no dia 6 de junho.

A autorização do glifosato vence em 30 de junho. Se os Estados membros não chegarem a um acordo, seu uso ficará proibido em toda a UE.

Diante do bloqueio da situação e da reunião de 6 de junho, a Comissão pode propor uma "prolongação técnica" de ao menos um ano ou até o fim de 2017, indicaram várias fontes europeias, isto é, até depois das eleições presidenciais na França (em maio) e das federais na Alemanha (setembro).

Este prazo permitiria à ECHA (a Agência Europeia de Substâncias e Misturas Químicas) publicar novos estudos sobre os impactos do glifosato na saúde humana.

A França insiste que não pode decidir a autorização antes que a ECHA publique novos estudos.

A Alemanha, por sua vez, não se posicionou nas últimas reuniões.

Os estudos sobre as consequências do glifosato divergem. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) julgou como improvável que o glifosato seja cancerígeno.

Uma opinião aplaudida pela indústria agroquímica, mas em contradição com a emitida antes pela Agência Internacional de Investigação sobre o Câncer (IARC, em inglês) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou o glifosato, presente, entre outros, no Roundup da Monsanto, um dos herbicidas mais vendidos no mundo, de cancerígeno "provável para o homem".

Um estudo conjunto recente da OMS e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estima, por sua vez, como pouco provável que o glifosato seja cancerígeno "nos humanos expostos através da alimentação".

O uso de herbicidas que contêm glifosato se generalizou rapidamente desde que saiu ao mercado, na década de 1970. Com o desenvolvimento de cultivos transgênicos resistentes a esta substância, como a soja RR (Roundup Ready) da Monsanto, seu uso se disseminou ainda mais.

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