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O ex-presidente Álvaro Uribe, em Cali, no dia 22 de junho de 2016

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A guerrilha das Farc se tornará um "grupo paramilitar" na Colômbia com um acordo alcançado com o governo de Juan Manuel Santos, que põe fim a mais de meio século de conflito armado, disse nesta sexta-feira o ex-presidente Álvaro Uribe.

"Este processo transforma as Farc em grupo paramilitar, sócio do Estado para combater outros delinquentes", informou o ex-presidente, ferrenho opositor do pacto negociado por considerar que dará "impunidade" aos insurgentes, a quem combateu durante seu governo (2002-2010).

O atual senador disse que o que foi negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas) em Havana, sede dos diálogos desde novembro de 2012, associa o Estado com rebeldes, aos quais tachou de traficantes de drogas "com a desculpa de enfrentar outros narcotraficantes e com dano irreparável às instituições".

"O governo utilizou este processo para estimular o descrédito da nossa democracia ante próprios e perante a comunidade internacional", assegurou Uribe, destacando que o partido de direita Centro Democrático, que lidera, fará uma campanha "austera" pelo "não", com vistas ao plebiscito de 2 de outubro, no qual os colombianos se pronunciarão sobre o que foi acordado.

Para o ex-presidente, que durante o seu mandato buscou negociar a paz com as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN, ainda ativo), o acordo de Havana "premia o terrorismo" porque os responsáveis por "crimes atrozes" não irão para a prisão e poderão ter a elegibilidade política.

"Nossa democracia lhes deu todas as oportunidades e preferiram continuar com o assassinato", acrescentou Uribe, fortemente enfrentado com Santos, seu ministro da Defesa entre 2006 e 2009.

Segundo o acordo de paz, que confessem crimes atrozes diante de um tribunal especial poderá evitar a prisão e receber penas alternativas. Se não o fizerem e forem declarados culpados, serão condenados a penas de oito a 20 anos de prisão.

Como vem fazendo nos últimos meses, Uribe reiterou que, com o pactuado, o governo "abre o caminho" ao "castro-chavismo" na Colômbia, em alusão ao regime dos irmãos Castro, em Cuba, e à Revolução Bolivariana do falecido Hugo Chávez, na Venezuela.

Uribe promoveu durante seu governo a desmobilização dos grupos paramilitares de direita, surgidos na década de 1980 para combater as guerrilhas que se levantaram contra o Estado 20 anos antes e muito vinculados ao tráfico de drogas. Muitos de seus líderes foram, por isso, extraditados aos Estados Unidos, onde cumprem penas de prisão.

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