AFP

O vice-presidente Michel Temer, em Brasília, no dia 12 de março de 2016

(afp_tickers)

O discurso de posse do vice-presidente Michel Temer para o caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff vazou para a Internet nesta segunda-feira, revelando que ele pretende fazer um governo de "união nacional".

Vários sites publicaram uma gravação de 15 minutos na qual Temer se dirige ao "povo brasileiro", o que foi interpretado pelo governo como mais uma prova da tentativa de "golpe" liderada pela oposição.

Temer afirmou na mensagem distribuída para integrantes do PMDB que é preciso "um governo de salvação nacional". Segundo ele, o momento exige a "pacificação" e a "reunificação" do país.

O vice-presidente justificou a gravação afirmando que falava com vários companheiros que "me perguntavam se estava preparado para o que poderá acontecer no próximo domingo". "Eu disse, olha, eu vou gravar aqui uma coisa que imagino que possa dizer, e aí fiz a gravação, onde ressaltei os pontos que tenho defendido ao longo do tempo: a pacificação absoluta do país, a unidade do país, e um chamamento a todos os partidos para um governo, digamos assim, de salvação nacional".

"Resolvi mandar (a gravação) para um grupo que acabou divulgando esta matéria, mas eu reitero que aquilo que disse é o que sempre fiz e o que vou fazer, e verifiquem que, respeitosamente, me dirigi ao Senado federal dizendo 'apesar da eventual decisão que ainda hoje se dê, devemos, cautelosamente, aguardar a decisão do Senado federal'".

Na gravação, Temer afirma que "a grande missão, a partir deste momento, é a pacificação do país, a reunificação do país, é o que eu repito, o que venho pregando, como responsável por uma parcela da vida pública nacional". "Devo dizer também que isso fica para – aconteça o que acontecer no futuro – um governo de salvação nacional e união nacional".

Em outro trecho da gravação, Temer desmente as informações de que na presidência acabará com programas sociais como a Bolsa Família, o Pronatec ou o Fies. "Isso é falso. É mentiroso e é fruto dessa política mais rasteira que tomou conta do país".

"Precisamos restabelecer a crença no Estado brasileiro, nas potencialidades do Estado brasileiro. Devo dizer aos que me ouvem que fiz muitas viagens internacionais no primeiro mandato e verifiquei o quanto os outros países que têm muito dinheiro em suas mãos querem aplicar no Brasil. Ou seja, querem acreditar no Brasil".

"O que aconteceu nos últimos tempos foi um descrédito no nosso país e o descrédito é o que leva à ausência do crescimento e faz retomar a inflação", disse Temer.

No Twitter, o Partido dos Trabalhadores afirmou que a gravação revela "um golpismo descarado" contra a presidente Dilma.

afp_tickers

 AFP