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Uma farmácia vazia é vista em Caracas, no dia 30 de maio de 2016

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A ministra venezuelana da Saúde, Luisana Melo, negou nesta sexta-feira que exista falta de medicamentos no país, como denunciam o sindicato dos farmacêuticos e a oposição.

"Temos elementos suficientes e objetivos para demonstrar que neste país estamos produzindo medicamentos, importando o necessário e vamos começar a distribuí-los da forma mais eficiente possível", disse Melo à imprensa em um hospital público do sudeste de Caracas.

A Federação Farmacêutica da Venezuela calcula em 85% a escassez de medicamentos no país, um argumento usado pela oposição para exigir do presidente Nicolás Maduro que aceite ajuda humanitária externa.

"Não há 85% de desabastecimento de medicamentos, e sim das marcas comerciais", afirmou a ministra, que avalia uma escassez em torno de 15%.

A ministra negou que na Venezuela haja uma "crise humanitária", e afirmou que o governo garante o fornecimento dos princípios ativos dos remédios para tratar das doenças de maior incidência.

Segundo Melo, o problema está no setor privado, que produz a metade de sua capacidade.

Para importar insumos, os laboratórios dependem de divisas, mas enfrentam o severo controle sobre o dólar, vigente desde 2003.

Diante das denúncias de médicos e pacientes sobre a falta crônica de medicamentos para tratar da Aids e de doenças oncológicas, a ministra disse que trata-se de um problema "pontual".

A Venezuela sofre uma severa crise, agravada pela queda dos preços do petróleo ( fonte de 96% das divisas), que se reflete na escassez de 80% dos alimentos básicos e em uma inflação de 180,9% em 2015, a mais alta do mundo.

Em meados de junho, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) declarou inconstitucional uma lei aprovada pela maioria opositora no Parlamento autorizando a entrada de ajuda humanitária no país.

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