AFP

(Arquivo) As pessoas que viajarão ao Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio correm um risco muito baixo de serem infectadas pelo zika, o vírus transmitido por mosquitos que pode causar malformações em fetos e transtornos neurológicos, segundo um estudo americano publicado nesta segunda-feira

(afp_tickers)

As pessoas que viajarão ao Brasil para os Jogos Olímpicos do Rio correm um risco muito baixo de serem infectadas pelo zika, o vírus transmitido por mosquitos que pode causar malformações em fetos e transtornos neurológicos, segundo um estudo americano publicado nesta segunda-feira.

No pior dos casos, apenas de três a 37 dos 500.000 visitantes esperados no Rio de Janeiro durante os Jogos, que começam no mês que vem, podem contrair zika, afirma o estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

"A possibilidade de que viajantes que retornem dos Jogos Olímpicos espalhem o zika se tornou uma questão polêmica que levou atletas a suspenderem sua participação no evento e a uma estigmatização indevida do Brasil, sem evidências", disse Albert Ko, coautor do estudo e professor de epidemiologia da Universidade de Yale.

"Este estudo fornece dados que, junto com as primeiras descobertas de cientistas brasileiros, mostram que estas preocupações podem ser muito exageradas", acrescentou.

O estudo, publicado na revista científica Annals of Internal Medicine, se baseia em um modelo matemático que leva em conta uma série de fatores, incluindo casos recentes de transmissão do vírus, as condições meteorológicas da estação e o fluxo de viajantes.

A equipe de cientistas constata que mais da metade dos visitantes dos Jogos regressariam para "países com renda alta onde o risco de estabelecer um contágio local do vírus é insignificante", indica o estudo.

"Cerca de 30% viajarão para países da América Latina onde a transmissão já está estabelecida, de modo que eles não vão desempenhar um papel importante na propagação do vírus", acrescenta.

Além disso, os Jogos Olímpicos serão realizados durante o inverno carioca, quando a atividade dos mosquitos diminui, segundo os pesquisadores.

Malformações congênitas

Os especialistas atribuem ao zika, que foi registrado pela primeira vez no Brasil em 2015, o aumento dos casos de microcefalia em recém-nascidos na América Latina. Esta malformação grave e irreversível, que se caracteriza por um tamanho abaixo da média da cabeça e do cérebro, prejudica o desenvolvimento dos afetados.

A infecção pelo zika pode ter consequências devastadoras para as mulheres grávidas e seus fetos.

Mulheres que estão grávidas ou que planejam engravidar são aconselhadas a não viajar para zonas onde o vírus circula. Como o zika também pode ser transmitido sexualmente, recomenda-se a utilização de preservativos ou a abstinência sexual.

Mas para a maioria das pessoas, os sintomas da zika são tão brandos que a infecção muitas vezes passa despercebida, e desaparece após dez dias.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou anteriormente que há um risco muito pequeno de que o zika - já presente em dezenas de países do Caribe e da América Latina - se propague internacionalmente em consequência das viagens relacionadas com os Jogos Olímpicos.

Nem todos concordam com este ponto de vista. Em maio, em uma carta aberta para a OMS, 150 médicos e cientistas do mundo todo pediram que os Jogos Olímpicos, que começarão em 5 de agosto, sejam transferidos ou adiados para prevenir a propagação do vírus zika.

Realizar os Jogos no Rio, a segunda cidade mais afetada pelo vírus no Brasil, seria "irresponsável" e "pouco ético", e poderia aumentar o risco de espalhar o zika para "lugares pobres, até agora não afetados" como a África e a Ásia Meridional, segundo a carta.

No entanto, os cientistas da Universidade de Yale calcularam que os visitantes dos Jogos que regressarão ao continente africano só poderão transmitir o vírus para mosquitos em um prazo de um a 14 dias após seu retorno.

"Estes números são muito pequenos em comparação com a possibilidade geral do vírus se propagar internacionalmente através de viagens", afirmou Jimmy Whitworth, professor de saúde pública internacional na London School of Hygiene and Tropical Medicine, que não participou do estudo.

afp_tickers

 AFP