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(Arquivo) Trabalhadores da saúde são vistos em local de tratamento do Ebola, em Monróvia, Libéria, no dia 30 de agosto de 2014

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O Banco Mundial alertou nesta quarta-feira que a perda de profissionais de saúde em meio à epidemia de Ebola na África ocidental pode aumentar as mortes de mulheres por complicações da gravidez e do parto.

Um adicional de 4.022 mortes de mulheres pode ser visto a cada ano ao longo de Guiné, Libéria e Serra Leoa, países mais atingidos pelo recente surto de Ebola, disse o Banco em um relatório que analisa o impacto além dos efeitos diretos da epidemia.

"A perda de trabalhadores de saúde pelo Ebola pode elevar as mortes maternas até taxas vistas pela última vez nestes países há 15-20 anos atrás", disse Markus Goldstein, economista-chefe do Banco Mundial e co-autor do relatório, em comunicado.

Segundo o relatório, médicos, enfermeiros e parteiras morreram desproporcionalmente na epidemia, que já matou mais de 11.200 pessoas nos últimos 18 meses, a maioria delas na África ocidental.

Por exemplo, no mês de maio, 0,1 por cento de toda a população da Libéria tinha morrido de Ebola, em comparação com 8,1 por cento dos seus trabalhadores de saúde.

A perda de trabalhadores de saúde para o Ebola provavelmente resultaria em taxas de mortalidade materna significativamente mais elevadas mesmo após os três países serem declarados livres do Ebola: 111 por cento na Libéria, 74 por cento em Serra Leoa e 38 por cento na Guiné.

"O Ebola enfraqueceu sistemas de saúde já muito frágeis nesses países", disse David Evans, co-autor do relatório. "O impacto devastador de Ebola deve ser o catalisador para reforçar os sistemas de saúde muito além de seus níveis pré-Ebola".

O relatório disse que 240 trabalhadores de saúde precisam ser contratados imediatamente entre os três países. De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os países precisam de 43.565 médicos, enfermeiros e parteiras para atingir a cobertura de saúde adequada, observou.

Tim Evans, diretor de saúde, nutrição e população no Banco Mundial, pediu um "investimento urgente" que iria priorizar a formação de trabalhadores de saúde nos três países.

"Isso é para garantir que a Guiné, a Libéria e Serra Leoa não estão apenas equipadas para lidar com futuras epidemias mortais, mas que todos os dias as mães tenham acesso aos cuidados de saúde de qualidade de que precisam, que salvam suas vidas e as preparam para o futuro".

O relatório, "Mortalidade Profissional da Saúde e o Legado da Epidemia de Ebola", foi publicado na revista The Lancet Global Health nesta quarta-feira.

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