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Soldados do Exército na entrada da Vila do João, no Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 2016

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O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, artífice das Unidades de Polícia Pacificadora nas comunidades, renunciou nesta terça-feira após uma escalada da violência em plena crise financeira no estado do Rio.

"O secretário José Mariano Beltrame pediu para sair do governo" a partir do próximo mês, informou em um comunicado enviado à AFP o governo do estado do Rio.

Beltrame estava há dez anos no cargo, um período no qual desenvolveu o projeto das UPPs, delegacias de polícia comunitárias instaladas em várias comunidades do Rio, para arrebatar o controle aos traficantes.

O programa foi instalado para melhorar a segurança nestas regiões vulneráveis às vésperas da Copa do Mundo de futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo a imprensa, Beltrame pretendia deixar o cargo desde o fim de 2014.

Sua renúncia ocorre um dia depois de novos confrontos registrados entre policiais e traficantes no morro Pavão-Pavãozinho, entre Copacabana e Ipanema, na zona sul da cidade.

O episódio causou pânico entre os moradores e comerciantes da região e deixou três criminosos mortos e cinco pessoas feridas, três delas policiais.

A segurança pública no estado do Rio sofreu um corte orçamentário de 30% este ano.

Nos preparativos para os megaeventos esportivos dos últimos anos, o governo investiu desde 2008 na instalação de UPPs em 264 comunidades, onde vivem um milhão e meio de pessoas.

Cerca de dez mil homens foram mobilizados nestes territórios, mas os traficantes buscam constantemente retomar o controle em algumas comunidades.

Desde 2008, Beltrame insistia com frequência na importância de implementar a segunda fase do programa das UPPs, que previa a instalação de serviços sociais (como creches, escolas e centros de saúde) nas comunidades "pacificadas". A repressão, única e exclusivamente, não seria suficiente a longo prazo, dizia o secretário.

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