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(Arquivo) O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão

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Milhares de professores, enfermeiros, bombeiros, policiais e outras categorias de servidores participaram de um protesto nesta quarta-feira no Rio de Janeiro, em meio a violentos confrontos, contra os planos de ajustes do governo do estado.

Com discursos transmitidos por carros de som e apitos, os manifestantes esperavam ser ouvidos no interior da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde eram discutidas as medidas de austeridade impulsionadas pelo governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB.

Pouco depois do meio-dia, dezenas de pessoas se desprenderam da multidão e conseguiram derrubar duas grandes cercas que circundavam o Palácio Tiradentes, sede da Alerj, no centro da cidade.

As forças de segurança utilizaram jatos d'água, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão que se encaminhava em massa até o local, indicou um jornalista da AFP.

"Vergonha! Vergonha!", gritavam os manifestantes, enquanto alguns atiravam pedras em reação à investida das forças de segurança.

Um cinegrafista da AFP reportou dois feridos, um dos quais precisou de massagem cardíaca; a outra pessoa ferida se afastou do local mancando.

Após esse confronto, os manifestantes voltaram a se concentrar em frente à Alerj.

"Pacote de maldades"

Nos últimos dias, o governo estadual voltou atrás no projeto de aumentar de 11% para 30% o desconto aplicado às aposentadorias do funcionários públicos, que agora se limitaria a 14%.

Outras propostas preveem o aumento das tarifas dos transportes públicos, de luz, gás e telecomunicações, assim como cortes em programas assistenciais para os setores mais necessitados, como o do Aluguel Social e do Renda Melhor.

"Estamos unidos contra este pacote de maldades. Não pagaremos pela má administração do governo", disse à AFP Zulema Quintanilha, funcionária do poder judiciário estadual.

Os cortes "retiram direitos" e em muitos casos são "inconstitucionais", como no de uma dupla tributação sobre salários, denunciou o delegado José Oliver, da Polícia Civil.

"Com os Jogos Olímpicos, desalojaram comunidades carentes com a promessa de ajudá-las com o aluguel social e de instalá-las em conjuntos habitacionais. Mas os enganaram", acrescenta Oliver, de 56 anos, acompanhado por dezenas de colegas com camisas que os identificam como membros desse órgão de segurança.

Vários educadores denunciavam o pagamento parcelado de seus salários.

Uma professora do ensino médio, que se identificou como Janete, denunciou uma "caça às bruxas" contra docentes que abordam temas políticos, sociais ou relacionados com a educação sexual. "A ditadura está de volta", declarou, fazendo referência ao regime militar vigente de 1964 a 1985 no país.

Um oficial do corpo de bombeiros, que se apresentou como subtenente Natalino, disse que estava no ato para exigir "respeito às atividades de segurança" e a manutenção do sistema de "triênio", que valoriza os salários quanto mais antigo for o funcionário.

Em meio à pior recessão nacional em um século e atingido pela queda dos preços do petróleo, o Rio de Janeiro está praticamente quebrado com um déficit de 17,5 bilhões de reais previsto para este ano.

Na semana passada, 200 manifestantes, boa parte deles funcionários públicos e policiais, invadiram a Assembleia Legislativa e causaram destruição em um protesto contra o plano de austeridade.

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