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(Nasa) Imagem de uma supernova, no dia 20 de novembro de 2014

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Mais de 130 cientistas especializados em supernovas, explosões de estrelas que liberam seus elementos químicos, essenciais para a evolução do universo, analisam durante esta semana na Ilha de Páscoa uma avalanche de dados disponíveis sobre o tema.

Cientistas de todas as idades e de todo o mundo exploram desde terça-feira e até sábado neste território insular chileno, situado no Pacífico, as novas oportunidades que se abrem para o conhecimento astronômico e as formas de melhorar as técnicas de observação e de análise para determinar a evolução do universo.

A ciência das supernovas avança a passos largos, anunciando descobertas quase diariamente, o que exige aos cientistas que acompanhem e se adaptem à enorme quantidade de dados disponíveis, dizem os organizadores do evento - o Instituto Milênio de Astrofísica Mas, que faz parte da Iniciativa Científica do Milênio, integrada por várias universidades chilenas e estrangeiras e instituições como a Fundação Imagem do Chile, responsável por promover o país no exterior.

A evolução do Universo depende das supernovas.

"Se não fosse pelas supernovas, não existiriam os planetas", diz à AFP o anfitrião do encontro, o astrônomo chileno Mario Hamuy, prêmio nacional de Pesquisa 2015 do Chile, que as descreve como a "fábrica dos elementos químicos do universo".

Na sua explosão, as estrelas liberam elementos como cálcio, oxigênio e ferro, que serviram para criar, por exemplo, a Terra.

Um dos mistérios que os cientistas tratam de solucionar é o que faz com que um estrela dê lugar a uma supernova.

A maioria das estrelas termina sua vida de forma pacífica, apagando-se aos poucos.

Encruzilhada cósmica

"As supernovas permitem decifrar como o universo evoluiu 5.000 anos depois do Big Bang", que ocorreu há cerca de 14 bilhões de anos.

Sua luminosidade permite, ainda, medir a distância entre galáxias distantes. "São faróis cósmicos", que também são capazes de revelar a velocidade ou a taxa na qual o universo se expande.

A ciência e a observação demonstraram que há atualmente milhares de supernovas que tornam o universo cada vez mais inalcançável, devido à sua expansão acelerada.

"Hoje estamos em uma encruzilhada, mas o conhecimento do desenvolvimento nos permite criar perspectiva a partir da retrospectiva", diz Hamuy, que reconhece que esta expansão acelerada do universo faz com que a distância entre galáxias seja cada dia maior.

"O que podemos observar vai se reduzindo", afirma Hamuy.

E o que se poderá observar será o que fica mais perto da Terra: a Via Láctea, que não se expande devido à sua própria gravidade, embora esteja se juntando com a galáxia de Andrômeda e em cerca de 4,5 bilhões de anos dará origem à Viadrômeda.

Entre os participantes do encontro se encontram o prêmio Nobel de Física 2011 Brian Schmidt e outros cientistas renomados como Mark Phillips, atual diretor do observatório chileno Las Campanas, e Nicholas Suntzeff, que participaram da descoberta da expansão acelerada do universo.

Todos são fundadores do projeto Calán/Tololo, no Chile, que permitiu contar com uma ferramenta inédita para a medição das distâncias do universo através do uso de supernovas próximas.

Estes dados foram o antecedente que em 1998 permitiu descobrir que o universo está se expandindo de forma acelerada, "devido à uma misteriosa energia escura", e não mais lentamente, como previa a teoria de Einstein.

Evolução da energia escura

Mais do que a expansão, o que interessa agora aos cientistas é a evolução da energia escura, que eles querem saber se se comporta como uma "constante cosmológica ou se varia no tempo".

Sua evolução "determinará o destino do universo", diz Hamuy.

Os organizadores estão dando palestras sobre a evolução do universo nas escolas da ilha, com o objetivo de fomentar a astronomia em um país que concentra entre 30% e 40% de toda a capacidade de observação do cosmos a partir da Terra.

O deserto do Atacama, o mais árido do mundo e com o céu mais límpido, abriga alguns dos telescópios mais sofisticados do mundo, como o Atacama Large Millimeter/subillimeter Array (ALMA).

Quando forem instalados outros três telescópios previstos, a capacidade de observação do Chile passará a 70%.

Diferentemente de outros centros de observação que apresentam características similares, como o Havaí ou as ilhas Canárias, na Espanha, a grande vantagem do país sul-americano é que ainda pode abrigar um número crescente de telescópios.

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