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O jogador Fernando Aristeguieta

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"Que dor tão grande. Descanse em paz, Miguel!", lamentou o jogador internacional Fernando Aristeguieta, após o assassinato de um velho amigo em uma marcha multitudinária da oposição em Caracas.

A morte de Miguel Castillo elevou para 38 o número de vítimas fatais nas manifestações iniciadas há seis semanas contra o presidente Nicolás Maduro. Personalidades do esporte venezuelano elevam a voz contra a espiral de violência.

Minutos de silêncio em partidas de futebol, gols dedicados às vítimas, estrelas do beisebol denunciando a "repressão": os atos em repúdio à violência se multiplicam.

"Miguel era dois anos mais velho do que eu. Era um desses amigos que conhece todo o mundo no colégio. Andava sempre fazendo piadas", disse à AFP o atacante Aristeguieta, de 25 anos, do clube português Desportivo Nacional.

Os dois estudaram no colégio Santo Inácio de Loyola e compartilhavam a paixão pelo Caracas FC.

Foram juntos como torcedores a partidas da equipe, onde Aristeguieta fez sua estreia profissional e, em 2010, ganhou seu primeiro campeonato. No dia do título, Miguel saltou para o campo para colocar uma faixa do Loyola, em meio a uma multidão.

Na quinta-feira, o clube de futebol de Caracas se somou às homenagens às vítimas, observando um minuto de silêncio, que não havia sido autorizado pela Conmebol, antes de uma partida da Copa Sul-Americana.

"Até quando? A Venezuela não merece isso. Chega!", desabafou Aristeguieta em um vídeo.

- 'SOS Venezuela'

Miguel Cabrera, jogador de beisebol do clube americano Detroit Tigers e maior estrela do esporte venezuelano, não conteve sua revolta.

"Eles lutam por comida, por medicamentos, por uma vida melhor. Alguém tem que se levantar e dizer: 'Chega! Acabou!", afirmou, em uma mensagem postada no site La Vida Baseball.

No domingo passado (7), em um jogo entre o Milwaukee Brewers e o Pittsburgh Pirates, os venezuelanos Francisco Cervelli, Orlando Arcia e Hernán Pérez colaram ​​nas bochechas tiras refletivas com a mensagem "SOS Venezuela".

"Não queremos mais ver sangue correr (...). Chega de repressão cruel", disse Omar Vizquel, lenda do beisebol venezuelano.

Jogadores de futebol de elite como Tomás Rincón, Salomón Rondón e Juan Arango não ficaram estranhos ao clamor.

"Chega de repressão!", pediu Rincón, capitão da seleção venezuelana e jogador da Juventus, há poucos dias.

Após a classificação da Juve para a final da Liga dos Campeões, que disputará contra o Real Madrid, dedicou essa vitória a seus compatriotas, "em meio a tanta tristeza, indignação e impotência".

No último final de semana, Rondón acabou com meses de seca, ao marcar seu primeiro gol de 2017 com o West Bromwich inglês. Fez uma dedicatória especial: "Ao meu povo, meu país, aos mortos e aos lutadores... Para aqueles que todos os dias estão em meu coração".

Já Arango anunciou que vai usar uma fita de capitão com as cores do tricolor venezuelano e a mensagem "No+Violencia" nas próximas partidas do Zulia FC no campeonato local.

- Minuto de silêncio

Há duas semanas, soava o apito inicial da partida Deportivo Lara-Deportivo Anzoátegui no futebol venezuelano, mas a bola não rolou.

Os 22 jogadores permaneceram de pé, respeitando um minuto de silêncio, que não havia sido autorizado pela Federação local de futebol.

"A consciência faz uma pergunta: é justo? E chega um momento em que alguém precisa se posicionar (...), porque sua consciência lhe diz o que é justo", tuitou Ricardo Andreutti, um desses atletas, citando Martin Luther King.

A homenagem se repetiu em outros encontros e, na semana seguinte, em todas as partidas, já com o aval federativo.

Os jogadores de basquete também repetiram esse tipo de homenagem, com um minuto de silêncio em algumas partidas da Liga Profissional.

Enquanto isso, no centro de treinamento do clube de basquete israelense Maccabi Haifa, o armador Gregory Vargas vestiu uma braçadeira preta e exibiu uma bandeira venezuelana, acompanhado de sua família.

"Basta", pediu o bicampeão sul-americano e campeão pan-americano com a seleção.

AFP