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"Um cartão de visita da Suíça"

Nicolas Lang. DFAE

O governo suíço acaba de nomear o diplomata Nicolas Lang embaixador itinerante para o Oriente Médio. Sua principal missão é promover a Iniciativa de Genebra.

Este conteúdo foi publicado em 10. fevereiro 2005 - 09:36

Em entrevista a swissinfo, ele fala da Iniciativa que possibilitou dar voz à Suíça no cenário internacional e criou elos na Palestina e em Israel. Tudo para promover a Paz.

Nicolas Lang passa a encarnar a Iniciativa de Genebra ... para a Suíça. Ele foi recentemente nomeado pelo governo suíço (Conselho Federal) como embaixador itinerante para o Oriente Médio, escolha que nada tem de inocente.

Esse diplomata de 45 anos acompanhou e participou do processo que chegou à Iniciativa de Genebra.

Ele acompanhou a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, na viagem a Israel e aos territórios palestinos.

Quando solicitado a fazer um balanço dessa viagem no âmbito da Iniciativa de Genebra, a resposta é clara: "Ela não era a principal motivação dessa viagem". A agenda política da ministra suíça, em sua primeira viagem à região, era dedicada às relações bilaterais com a Palestina e com Israel.

Mesmo assim, o plano de paz não oficial apoiado pela Suíça estava na mente de todos ao longo da viagem da delegação suíça.

swissinfo: Esse novo cargo implica mudanças em suas tarefas?

Nicolas Lang : Esse cargo é um meio para facilitar nosso trabalho. É útil nos contatos no estrangeiro, abre portas e permite desempenhar melhor minhas funções.

Essas continuam as mesmas. Vou me dedicar principalmente à Iniciativa de Genebra, esse plano que nos permitir tecer boas relações com palestinos e israelenses.

Como a população suíça espera que sejamos ativos nesse conflito e contribuir para solucioná-lo, achamos que tínhamos de dinamizar ainda mais essas relações.

Devemos nos envolver no apoio de projetos e nos processos políticos também para promover os interesses da Suíça, em sentido amplo, nessa região.

O sr. pensa ampliar a Iniciativa de Genebra a personalidades que tenham mais peso político?

N.L.: Essa questão é realmente importante. É indispensável que o "produto" Iniciativa de Genebra seja aceito por todo mundo em Israel e na Palestina. Para isso é preciso motivar outras personalidades importantes a aderirem ao projeto.

Uma das críticas à Iniciativa - principalmente do lado israelense - é a adesão da esquerda liderada por Yossi Bailin. É evidente que a paz será feita com todo mundo e, do lado israelense, a direita precisa estar envolvida e mesmo comprometida.

O problema é que os partidos têm muito trabalho pela frente. Eles devem ampliar a base de apoio dessa iniciativa e de maneira visível para as duas populações.

E do lado palestino? Yasser Abed Rabbo, um dos pioneiros do acordo de Genebra , não parece ter um peso político importante.

N.L.: Nós sempre dissemos que a Iniciativa de Genebra pertence à sociedade civil. Não cabe à Suíça buscar novos apoios mas advertimos nossos parceiros palestinos sobre esse aspecto.

Você dever ter notado que Yasser Abed Rabbo é próximo de Mahmoud Abbas, novo presidente da Autoridade Palestina, e de outras pessoas atualmente no poder. Isso demonstra que Mahmoud Abbas não está muito longe do espírito da Iniciativa de Genebra.

Com o título de embaixador itinerante o sr. vai viajar muito?

N.L.: É claro que vou continuar a viajar para encontrar as pessoas que contam no debate do processo de paz no Líbano, na Síria, na Jordânia e no Egito. Isso é indispensável.

Nosso plano é tentar, com os meios de que dispomos e que não são ilimitados, influenciar os processos políticos.

A Iniciativa de Genebra é um cartão de visita para a Suíça?

N.L.: Não há dúvida que ela nos permite ir mais longe, com um perfil no cenário internacional. Não existem muitos países que poderiam fazer a mesma coisa que a Suíça, e quiseram fazê-lo. A chanceler Micheline Calmy-Rey teve muita determinação.

Esse plano é reconhecido e outros países o apóiam. A Geneva Initiative Network - que é um grupo de contatos, intercâmbios e discussões - conseguiu
reunir 33 países além da União Européia e da ONU.

A Iniciativa tem uma ressonância que vai além do círculo restrito do início e outros países inclusive ajudam a financiar esse esforço. A Suíça é o parceiro mais visível porque a iniciativa não se chama de Estocolmo ou de Paris ... mas de Genebra.

Entrevista swissinfo, Jugurtha Aït-Ahmed em Sderot, Israël
Adaptação: Claudinê Gonçalves

Fatos

Nicolas Lang colaborou nas discussões e na elaboração da Iniciativa de Genebra para o Oriente Médio.
Lançada em dezembro de 2003, em Genebra, ela prevê que Israel se retirará de quase toda a Cisjordânia e dividirá a soberania de Jerusalém.
Os palestinos renunciariam au direito ao retorno de quase 3,8 milhões de refugiados e seus descendentes.
33 países apóiam o projeto.

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Breves

- Em 2004, a Suíça pagou 2,3 milhões de francos para a Iniciativa de Genebra.

- A Genebra Initiative Network - um portal de contatos, intercâmbios e discussões - reune atualmente 35 países, inclusive alguns Estados árabes, União Européia e ONU.

- Esse grupo deve se reunir duas vezes este ano. O primeiro encontro está previsto para maio.

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