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A arte de fazer tanto com tão pouco em Moçambique



O "rapper" suíço Greis entusiasmou o público em Pemba, norte de Moçambique

O "rapper" suíço Greis entusiasmou o público em Pemba, norte de Moçambique

Ser artista na Suíça não é fácil. Apresentar-se em Moçambique, onde metade da população vive abaixo do nível de pobreza, ainda é outra experiência.

Foi o que constataram o artista plástico Tom Tirabosco, de Genebra, e o rapper Greis, de Berna, capital suíça, que revelaram o segredo do sucesso a artistas moçambicanos.

“Sem a cultura e a arte não se pode viver. É tão importante quanto o desenvolvimento econômico. Inclusive para os que não têm nada para criar, para exprimir o que caracteriza sua unicidade”, deplora Tirabosco, depois de dez dias de aulas artísticas em Maputo, a convite da embaixada suíça. O resultado dos trabalhos foi exposto no centro cultural franco-moçambicano, no contexto da festa da francofonia.

“A escola está num estado dramático: falta papel e lápis e não existe uma mesa descente”, observa Tirabosco. Compreendo que a prioridade do governo moçambicano seja outra, mesmo se a cultura deve fazer parte da educação e da própria identidade, acrescenta o artista suíço.

Em caso contrário, os jovens artistas desistem porque não vêm futuro na cultura. A vinda de um artista estrangeiro é, ao contrário, uma fonte de inspiração e motivação.

“Minha breve presença traz um pouco de ar fresco”, comenta Tirabosco. “O que digo aos jovens é que façam pressão sobre o governo para que invista em cultura moderna. Com isso, espero que possam contar sua história da vida cotidiana, no futuro.”

Uma pincelada de esperança

O manifesto de Tirabosco acaba influenciando  alguns jovens estudantes moçambicanos selecionados para o evento.

“Tentei ilustrar os problemas da cidade, por exemplo, o fato das pessoas jogarem lixo em qualquer lugar ou fazerem suas necessidades onde quiserem”, conta Leonardo, 21 anos, diante de seu painel intitulado “Abuso do espaço público”.

 Outra estudante, Marta – orgulhosa de ser uma das poucas mulheres da turma – explica que quis descrever o triste destino de um menino que vive na rua, sem nenhuma perspectiva”.

Em meio à dificuldade da vida cotidiana, a presença de Tirabosco é uma pincelada de esperança. “Graças a ele, pudemos ampliar nosso horizonte e aprender outra técnica”, declara Claudio, diante de seu colorido manifesto por um hipotético concerto hip-pop. Os estudantes têm um sonho em comum: publicar um livro com seus trabalhos. Por enquanto falta verba.

Uma voz experiente

O intercâmbio cultural com artistas estrangeiros permite aos jovens moçambicanos confrontarem-se com o que ocorre no estrangeiro em matéria de cultura de massa.  Isso é válido sobretudo nos vilarejos do norte do país, distante dois mil kms da capital, onde os jovens artistas são completamente isolados do mundo.

“Sem nenhuma comparação, eles acreditam que são bons, quando ainda não são”, afirma Barbara Kruspan, suíça que vive em Moçambique há vinte anos e coordena diversos projetos de apoio à cultural.

 Um deles começou no início de março em Pemba, norte do país, em colaboração com as organizações Helvetas e Viva com Água, que convidaram o rapper suíçoGreis (Grégoire Vuillemier) para vir a Moçambique.

Além de visitar instalações de água potável construídas em alguns vilarejos, o músico fez uma apresentação, acompanhado por dois músicos moçambicanos, Azagaia e Chikito. Durante o show também se apresentaram alguns jovens de Pemba que haviam participado de um work-shop com Greis e artistas moçambicanos.

“A cultura, além de ser um bem em si, reforça a autoestima da pessoa e permite realizar-se também em outros setores” disse, convicta, Barbara Kruspan.

Sua longa experiência ensina, porém, que muito dinheiro pode provocar problemas e expectativas exageradas: “É preciso ajudar os artistas locais com recursos que podem gerir”, observa.

Essa é a filosofia da Direção de Desenvolvimento e Cooperação (DDC, agência do governo suíço), que financiou o concerto de rap em Pemba. “Temos 200 mil francos por ano para promover a cultura em Moçambique, o que corresponde a 1% do orçamento total para o país; a maioria é destinada a projetos pequenos e locais nas províncias onde a cooperação suíça está presente”, explica Markus Duerst, diretor suplente da DDC em Maputo.

Duerst acha que a cultura dá visibilidade à cooperação helvética e semeia um terreno fértil para os demais projetos em que a agência suíça está presente. Mas, ao mesmo tempo, é um instrumento útil para divulgar mensagens, por exemplo através do teatro, num país cuja taxa de analfabetismo ainda é muito elevada.

Cultura em Moçambique

Maputo. 

Apesar de todos os problemas, Maputo é uma cidade com atividades culturais. Diversos países organizam e divulgam manifestações. Um dos mais ativos é o centro franco-moçambicano. No Núcleo de Arte há concertos e exposição de pintores moçambicanos.

 Malangatana. É o artista mais famoso de Moçambique. Pintor, escultor e poeta, Malangatana Valente Ngwenya,

morreu em janeiro último aos 74 anos. Durante a luta pela independência (1975), foi preso pelos portugueses. Depois do fim da guerra civil (1992), foi deputado pelo partido no poder, a FRELIMO.

 

Mingas. A cantora moçambicana mais famosa no plano internacional. Nos anos 1980, durante a guerra civil, foi a voz mais conhecida da Rádio Moçambique.

Mankell. Em Maputo há alguns teatros como o Avenida,que deve seu sucesso ao apoio do escritor suecoHenning Mankell. Famoso por suas peças, dedicou grande parte de sua vida à criação do grupo de teatro profissional "Mutumbela Gogo".

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Marco Faehndrich

O autor deste artigo, de 29 anos, é cientista político e jornalista. Trabalha atualmente na Helvetas Moçambique, em programa financiado pela Direção de Desenvolvimento e Cooperação (DDC, agência do governo suíço).

Trata-se de um progrma de apoio à sociedade civil e autoridades locais para melhorar o acesso à água potável e aos serviços sanitários nas províncias do norte (Nampula e Cabo Delgado).

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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