Navigation

Água potável de qualidade duvidosa impõe precauções aos moradores do Rio de Janeiro

(15 jan) Homem compra água mineral no Rio de Janeiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 06. fevereiro 2020 - 20:35
(AFP)

Primeiro a água estava suja; depois, com detergente: os moradores do Rio de Janeiro observam, preocupados, uma água de qualidade duvidosa sair de suas torneiras, no mais recente problema ambiental do país.

Há mais de um mês começaram as queixas generalizadas denunciando a qualidade da água na Cidade Maravilhosa, que apresentava cor marrom e odor. A cidade, além de ser uma capital turística conhecida por suas belezas, também tem um histórico de poluição e mau tratamento da água.

A Cedae, que gerencia a água no estado, declarou que a sua qualidade foi afetada pela presença da geosmina, uma substância química gerada por algas.

Desde que o fato foi anunciado, a Cedae demitiu o diretor da principal estação de tratamento, a do Guandu, usou carvão ativado para retirar a geosmina e informou aos 12 milhões de habitantes da zona metropolitana do Rio que era seguro beber essa água.

No entanto, na última segunda-feira fez outro anúncio vergonhoso: a água do seu principal reservatório registrou altos níveis de detergente - até o momento de origem desconhecida - obrigando as autoridades a suspender o abastecimento à população.

A estação do Guandu é responsável por distribuir água para 9 milhões de pessoas. A suspensão do abastecimento por 14 horas afetou uma importante parcela da cidade, principalmente por se tratar de uma época de pleno verão com altas temperaturas.

À medida que o pânico ia crescendo na população, os fornecedores de água engarrafada começaram a ter que atender uma demanda desenfreada.

"As entregas quadruplicaram. E todos ao mesmo tempo querem água agora. Então como fazer isso?", disse Luciana Barbosa de Jesus, proprietária de um depósito de bebidas localizado no centro da cidade, enquanto sua equipe de entregadores move-se apressada em veículos e bicicletas para atender aos inúmeros pedidos de água.

- Escolas fechadas, carnaval em vista -

A falta de água potável obrigou as autoridades a adiarem o início do período escolar da quarta-feira para quinta em mais de 1.500 escolas públicas, além de responder à indignação coletiva de que possam celebrar o carnaval - que acontecerá daqui a duas semanas - em meio a uma crise hídrica.

"Seria importante que esse problema fosse resolvido até o carnaval. Se não, a gente pode ter um carnaval com falta de água mineral, com consumo de água que talvez não esteja adequado", disse Leonardo Do Santos, um bancário de 38 anos, após comprar um pacote de água mineral.

Muitos supermercados ficaram desabastecidos ou escolheram limitar a compra por cliente, enquanto nas ruas os vendedores triplicaram os preços - com a garrafa de 1,5 litro chegando a R$ 6.

Até mesmo nas favelas, onde a população possui menor renda, a compra de água mineral se tornou comum.

"Aqui muita gente está comprando água mineral. O garrafão de 20 litros já está em falta em alguns locais", conta Hélio, morador do Complexo da Maré.

- Ataques políticos -

O governador do Rio, Wilson Witzel, foi acusado de tentar desmontar a Cedae como forma de minar o prestígio da companhia e reforçar a necessidade de privatizá-la.

O órgão estadual responsável pelo meio ambiente, a Agnersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro), informou na última quarta-feira ter multado a Cedae em R$ 100 mil por não divulgar os níveis de geosmina na estação do Guandu.

Em comunicado à AFP, a Cedae informou que: "A água fornecida está dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde e, portanto, é própria para o consumo. A Companhia permanece monitorando diariamente a água distribuída ao longo do sistema e análises estão sendo feitas pela própria Cedae e por laboratórios externos".

Esses problemas não são recentes, disse o ecologista Mario Moscatelli, que desde 1990 tem alertado as autoridades sobre como devem lidar com o grande volume de águas residuais não tratadas que chegam à estação do Guandu.

"Essa situação é inconcebível, inaceitável, em qualquer parte de universo", ressaltou à AFP.

A Agnersa informou recentemente que o misterioso detergente encontrado no Guandu não excedeu os níveis aceitáveis.

Os moradores do Rio, no entanto, continuam preocupados quanto às incertezas relacionadas a essa situação.

"Witzel achou um modo 'inteligente' de limpar a água e ressarcir os consumidores. Genial jogar detergente na água", ironizou um usuário não identificado do Twitter.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.