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(3 jul) O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (e), na cerimônia de início das obras do Complexo Esportivo de Deodoro

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Por mais que a organização da Copa do Mundo tenha sido um sucesso, o Rio de Janeiro continua numa corrida contra o relógio para os Jogos Olímpicos de 2016, enfrentando atrasos preocupantes nas obras.

A grande festa do futebol já ficou para trás e, a partir desta segunda-feira, todos os olhares se voltarão para a Cidade Maravilhosa, que acolherá as primeira Olimpíadas da América do Sul daqui a 753 dias.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, considera que o êxito da Copa deve contribuir para amenizar os temores sobre a organização dos Jogos.

"A desconfiança que enfrentamos há dois meses já não existirá mais", disse Paes na semana passada em entrevista a jornalistas estrangeiros. "Ainda temos muito trabalho pela frente, mas confiamos na nossa capacidade de entregar tudo à tempo", garantiu.

A principal dor de cabeça é o Parque Olímpico de Deodoro, que receberá sete modalidades, entre elas ciclismo, tiro esportivo, esgrima, hipismo e hóquei sobre grama. As obras, que deveriam ter começado no ano passado, só foram iniciadas no dia 3 de julho.

Três instalações herdadas dos Jogos Pan-Americanos de 2007 precisam ser renovadas e outras precisam ser erguidas do zero.

A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2016, prazo que não dá nenhuma margem de segurança aos organizadores.

Pouca flexibilidade

O principal Parque Olímpico será localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, perto do antigo autódromo. O local, que receberá 15 modalidades, parece hoje um grande terreno baldio.

Greves e atrasos afetaram o começo das obras e a construção do velódromo foi iniciada apenas em fevereiro. No imenso terreno que beira a lagoa de Jacarepaguá, aparecem apenas alguns blocos de concreto.

As únicas instalações que já estão de pé são a Arena da Barra, que receberá a ginástica e o trampolim, e o Parque Aquático Maria Lenk, ambos inaugurados em 2007. O Parque Aquático sequer receberá provas de natação, que serão realizadas numa instalação provisória ao lado, e deve se contentar apenas os saltos ornamentais e o polo aquático.

A poucos quilômetros de lá, o polêmico campo de golfe, localizado no meio de uma reserva ecológica que beira a praia do Recreio, ainda está na sua fase inicial de construção. A entrega está prevista para meados de 2015.

Apesar de todos esses atrasos, o general Fernando Azevedo e Silva, nomeado pela presidente Dilma Rousseff para chefiar a Autoridade Pública Olímpica que coordena as obras, mostrou-se "muito otimista".

"Não temos atrasos confirmados, mas tampouco temos flexibilidade (em termos de tempo), principalmente para Deodoro", admitiu o dirigente em entrevista à AFP.

Na zona norte da cidade, enquanto o Maracanã mostrou na Copa que está totalmente operacional, o Engenhão, que receberá o atletismo, modalidade de maior prestígio nos Jogos, continua fechado por conta de problemas na cobertura.

Outra preocupação é a poluição da baia de Guanabara, onde serão disputadas competições de vela e windsurf.

"Vai ficar limpa, não existe risco para os atletas", prometeu Paes, que reconheceu apenas "alguns problemas", porém "muito longe do espaço olímpico".

COI à espera

Em abril, a organização do Rio-2016 recebeu críticas duríssimas do australiano John Coates, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), que chegou a declarar que tratava-se da "pior já vista" em 40 anos.

No entanto, o presidente da entidade, o alemão Thomas Bach, mostrou-se muito mais otimista depois de uma reunião que teve na última sexta-feira com a presidente Dilma Rousseff.

"Fiquei satisfeito com a confiança que a presidente nos Jogos. Foi muito bom ouvir que os Jogos e seu legado eram uma prioridade absoluta", afirmou Bach.

Além das instalações esportivas, são previstos 27 projetos que devem trazer melhorias para a cidade, principalmente em termos de transportes públicos. Os projetos de maior destaque são a renovação da zona portuária, a construção de uma nova linha de metrô e a implementação de corredores de ônibus (BRT).

Os Jogos do Rio-2016 custarão pelo menos 36 bilhões de reais, sendo que as autoridades garantem que metade do financiamento será de origem privada ou procedente de consórcios público-privados.

O problema é que os atrasos correm o risco de elevar aumentar o peso no bolso do contribuinte e o custo final será conhecido apenas às vésperas da competição. O que se sabe no momento é que o orçamento parcial já está mais elevado do que nos Jogos de Londres-2012.

AFP