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Última cartada de Macri para ganhar eleição presidencial na Argentina

Seguidores do presidente argentino, Mauricio Macri, durante manifestação de apoio a sua candidatura à reeleição, em Buenos Aires, em 24 de agosto de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. setembro 2019 - 19:29
(AFP)

Mauricio Macri tenta retomar neste sábado (28) o impulso para as eleições presidenciais de 27 de outubro, sob o lema "Sim, podemos", determinado a conseguir sua reeleição, apesar da magnitude da crise econômica argentina e do revés sofrido nas primárias, ficando 17 pontos atrás do peronista Alberto Fernández.

"A eleição ainda não aconteceu", afirmou, deixando claro que suas aspirações permanecem intactas.

Com um ato no sábado em Buenos Aires, o primeiro de 30 encontros, o presidente liberal buscará convencer a população que é a melhor opção de governo por mais quatro anos, apesar de os indicadores de economia e as reivindicações sociais terem piorado desde que assumiu em dezembro de 2015.

Macri pede mais um mandato para completar as reformas do Estado e ajustar as contas públicas, segundo ele deixadas mergulhadas no caos por sua antecessora peronista de centro esquerda Cristina Kirchner (2007-2015) e atual vice na chapa de Fernández.

"Nesta convocação está tudo em jogo. Se for um fracasso, ou houver pouca participação, a campanha acabou para ele", disse à AFP o analista político Raúl Aragón que vê Macri "sem legitimidade nem poder" no último período de seu governo.

Para Aragón, "todo o mundo decidiu que o próximo presidente é Fernández".

- Economia é crucial -

Segundo as últimas pesquisas, Alberto Fernández venceria no primeiro turno na eleição de outubro, com mais de 50% dos votos.

"Macri não tem muito para mostrar, porque depois de quatro anos o balanço é muito negativo", comentou o cientista político Carlos Fara.

A inflação acumulou 30% em agosto, o desemprego atingiu seu pior nível em 14 anos (10,6%), a pobreza afeta um em cada três argentinos, e o PBI per capita voltou ao nível de 2010, segundo dados do Banco Mundial.

Desde janeiro de 2018, a moeda se desvalorizou 68% com múltiplas corridas cambiais sufocadas pelo Banco Central à custa de reservas e de levar a taxa diretriz para acima de 80%, uma das mais altas do mundo.

"Este senhor governou o país como se fosse o campo do Boca", disse Emiliano Díaz, um taxista de 45 anos que votou em Macri em 2015, mas se sente "profundamente desiludido" pelo presidente - que presidiu o clube Boca Juniors antes de entrar na política.

A crise levou Macri a retomar os subsídios, congelar preços, impor restrições cambiais e controle de capitais.

A economia tampouco recebeu a "chuva de investimentos" prevista por Macri ao chegar ao poder, embora tenha tido o apoio político dos Estados Unidos e de potências europeias.

Quase um mês antes da eleição, Macri quer espalhar otimismo sob a hashtag #sisepuede. E, para muitos argentinos, o atual presidente ainda merece uma chance.

"Macri é alguém bem intencionado que cometeu muitos erros políticos, entre eles não ter dito, de cara, o que encontrou, uma herança tremenda de muitos anos de populismo", opinou Julio Esteban Lalanne, advogado de 53 anos.

O primeiro ato será em Belgrano, um bairro nobre de Buenos Aires. Lá, Macri quer repetir o sucesso da marcha de 24 de agosto, quando milhares responderam a uma convocação feita pelas redes sociais.

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