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'Unidos pela mesma causa', chilenos sacodem coração de Santiago

Vista aérea da manisfestação contra o governo em Santiago, em 25 de outubro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. outubro 2019 - 01:57
(AFP)

A emblemática Praça Itália, em Santiago, se converteu nesta sexta-feira no coração das demandas sociais, com donas de casa, jovens, trabalhadores e famílias inteiras fazendo o Chile vibrar com a maior passeata em décadas no país.

A uma semana da explosão social deflagrada pelo aumento das passagens do metrô, que deu origem a outras exigências, os chilenos ocuparam o centro de Santiago procedentes de todos os pontos da cidade.

"Há gente de todo tipo (...) e todos unidos pela mesma causa", disse à AFP Betzabé Segovia, 28 anos, trabalhadora de um centro de atendimento ao cliente, que caminhava entre a multidão na Praça Itália.

A jovem diz que a explosão social que vive o Chile conseguiu "gerar preocupação no governo, que viu que as coisas não são tão simples, que há uma preocupação profunda".

Uma grande bandeira na Avenida Alameda dizia: "Olhem como nos falam do Paraíso enquanto nos atiram balas e pedras", estrofe de uma canção da cantora chilena Violeta Parra.

- "Mão no coração" -

Um grupo de estudantes aplaudia cantando a estrofe que tem dominado os protestos em Santiago: "Oh, oh, oh o Chile acordou, o Chile acordou".

O ambiente festivo desta sexta-feira era muito diferente do clima de caos que reinou sobre Santiago há uma semana, quando os manifestantes destruíram estações do metrô e saquearam lojas e supermercados.

"Jamais vamos esquecer os abusos, nunca mais vamos suportar isto", disse Carlos Lazo, um aposentado de 77 anos. "O povo está disposto a fazer o sacrifício, se é preciso parar uma semana, um mês, vamos fazer isto, não importa o preço".

Diante do Palácio Presidencial de La Moneda, muitos dos que caminharam até a Praça Itália expressaram seu descontentamento com o presidente gritando o já conhecido refrão: "Piñera escuta, vai a chucha (vai pro diabo)".

"Só peço ao presidente que coloque a mão no coração e veja toda a necessidade de trabalho e de aumento dos salários", dizia uma cartaz carregado por Gladis Carreño.

Diante da biblioteca central, os manifestantes escutaram 100 violonistas que se juntaram para tocar e cantar "El derecho de vivir", de Víctor Jara, músico assassinado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

De um apartamento no alto de um prédio, um grupo de jovens lançava aviões de papel, enquanto outros subiam nos pontos de ônibus para ver passar a gigantesca manifestação sem liderança identificada.

No início, a passeata foi acompanhada apenas a distância pelas forças de segurança, mas a partir da tarde ocorreram alguns incidentes diante do Palácio de La Moneda e seus arredores.

"A primeira coisa que (Piñera) tem que fazer é tirar os militares das ruas e mudar o gabinete", disse Carmen Rojas, uma dona de casa de 40 anos.

Rojas disse que compareceu ao protesto porque as medidas que o presidente ofereceu esta semana para tratar de conter o descontentamento popular "são apenas paliativos para o problema real, que tem a ver diretamente com a desigualdade no Chile".

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