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'Voltar à prisão é pena de morte lenta e certa', diz Fujimori

Foto entregue à AFP pela família do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, na Clínica Centenário Peruano Japonesa. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. janeiro 2019 - 21:23
(AFP)

Obrigado a voltar à prisão para cumprir uma pena de 25 anos por crimes contra a humanidade após a justiça revogar seu indulto, o ex-presidente do Peru Alberto Fujimori disse à AFP que espera o pior: "uma morte lenta e certa".

"Sinto que o fim está próximo", disse o ex-presidente à AFP em um bilhete escrito na Clínica Centenário Peruano Japonesa, onde passou os últimos quatro meses, antes de ser levado à base das forças especiais da polícia em Lima para completar os 13 anos que lhe restam de pena por crimes contra a humanidade durante seu governo.

"Se na tranquilidade de estar hospitalizado atravesso uma perigosa montanha russa, na prisão esta situação será muito mais grave e instável", escreveu Fujimori à AFP.

"É por isto que voltar à prisão representa uma pena de morte lenta e certa", afirmou o engenheiro e matemático de 80 anos, que governou o Peru de 1990 a 2000 com mão dura.

Uma junta médica concluiu que o ex-presidente tem condições de continuar seu tratamento no ambulatório da base das forças especiais.

Fujimori foi internado no dia 3 de outubro após sofrer uma descompensação em sua residência, após a justiça anular o indulto concedido pelo então presidente Pablo Kuczynski, na véspera do Natal de 2017.

O ex-presidente será o único detento na base das forças especiais, e ficará submetido a controle médico permanente.

Fujimori, que apelou ao Supremo contra a anulação do indulto, declarou que a medida "se justificou por várias enfermidades, entre elas a fibrilação auricular paroxística", a qual se soma agora "outro mal coronário".

"A combinação destes dois problemas com o trauma e o estresse que produz a prisão é um caminho seguro para um infarto cardíaco".

"O julgamento da história será mais justo que o julgamento dos meus inimigos políticos", declarou Fujimori. "Podem tirar a minha vida, mas nunca o que eu fiz. O Peru jamais voltará a ser o país inviável que recebi" em 1990, com hiperinflação de 7.600% e a violência guerrilheira do Sendero Luminoso.

"Caminho para o fim da minha vida com a satisfação de ter ajudado a mudar a história do meu país".

"Os anti-fujimoristas não querem reconhecer as grandes mudanças estruturais da década de 90 que beneficiaram toda a população. Vivem apenas de seu ódio aos Fujimori. Querem me matar lentamente".

"Jamais imaginei que a política poderia produzir tanto mal à minha família. Sinto como se uma maldição tivesse caído sobre nós (...). Minha filha (Keiko) jamais chegou à presidência, mas é o único político na prisão pelo caso Odebrecht. Ela deveria enfrentar o processo em liberdade, mas está na prisão por motivações 100% políticas".

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