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Acidente no metrô da Cidade do México foi causado por 'falha estrutural', diz perícia

Vista aérea do local em que um trecho de uma via elevada do metrô desabou na Cidade do México, causando 26 mortes, em foto tirada em 10 de maio de 2021, uma semana após o acidente afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. junho 2021 - 21:19
(AFP)

O acidente no metrô da Cidade do México, que deixou 26 mortos no dia 3 de maio, foi produto de uma "falha estrutural", de acordo com um laudo pericial preliminar da firma norueguesa DNV, divulgado nesta quarta-feira (16).

“O incidente foi causado por uma falha estrutural”, afirma o relatório lido por Jesús Esteva, secretário de obras da Prefeitura da capital, que contratou a DNV.

A empresa acrescentou que o problema está associado a "condições" como "deficiências no processo de construção" e de soldagem dos chamados parafusos Nelson.

Também está ligado à "porosidade e falta de fusão na união parafuso-viga", à "falta de parafusos Nelson nas vigas que compõem o conjunto da ponte", ao uso de "diferentes tipos de concreto na placa" e "soldas inacabadas e/ou mal executadas".

A DNV, cujo diretor no México, Eckhard Hinrichsen, participou da apresentação do laudo, planeja entregar mais dois relatórios em 14 de julho e 30 de agosto.

Os especialistas da empresa norueguesa encontraram deformações e fraturas nas vigas das pontes por onde o trem elevado viajava no momento do acidente, detalha o relatório.

- "Castigo" -

O documento afirma que entre as linhas de investigação busca-se determinar se o projeto foi adequado, se foram utilizados os materiais necessários, se a execução da obra foi conforme indicada e se fatores posteriores como operação, reparos e reabilitações influenciaram.

“As responsabilidades derivadas das empresas e dos servidores públicos são da competência do Ministério Público” da Cidade do México, que está conduzindo uma investigação, disse a prefeita da capital, Claudia Sheinbaum, que esteve presente na apresentação do relatório.

Na noite de 3 de maio, uma seção elevada do metrô desabou e dois vagões foram suspensos a uma altura de cerca de 12 metros. Morreram 26 pessoas e pelo menos 80 ficaram feridas.

- Consequências políticas -

A linha 12 - ou "Dorada" -, onde foi registrado o acidente, é a mais recente construção do metrô, que começou a operar em 1969.

Foi desenvolvida durante a prefeitura de Marcelo Ebrard (2006-2012), atual chanceler, um dos homens de confiança de López Obrador e potencial candidato à presidência em 2024.

Opositores apontam Ebrard como um dos culpados pelo colapso, mas o ministro afirma que sua responsabilidade administrativa pelo projeto terminou em 2013 e se ofereceu para apoiar as investigações.

Após a divulgação do relatório preliminar, Ebrard sublinhou em comunicado que um comitê central e um subcomitê técnico, composto por uma centena de especialistas e funcionários, estavam encarregados de revisar e endossar o desenho e a construção do projeto.

Ebrard apontou que os problemas no elevado foram conhecidos depois do forte terremoto de 2017, que deixou 370 mortos e questionou se seu sucessor na prefeitura, Miguel Ángel Mancera, "realizou todas as manutenções necessárias".

Mancera, agora senador, disse a repórteres que espera que seja uma "investigação sem qualquer acusação política".

- Empresa de Slim na mira -

A firma Carso, do magnata das comunicações Carlos Slim, também é apontada na investigação por ser, segundo a prefeitura, a encarregada da construção do trecho dividido em dois.

O mexicano ICA e a francesa Alstom também participaram do projeto.

Sheinbaum, que também é citado como um possível candidato à presidência do partido no poder, anunciou por sua vez que se comunicará com representantes das construtoras envolvidas para "estabelecer um diálogo técnico".

Desde o seu início, a obra foi marcada por polêmicas, pois seu custo foi de 1,2 bilhões de dólares, 70% a mais do que o planejado originalmente.

Além disso, em 2014 a operação de 12 estações foi suspensa por pouco mais de um ano devido à degradação da via, dos dormentes, das fixações dos trilhos e do desgaste ondulatório deste último.

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