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Acordo do MP do Peru com Odebrecht complica Keiko Fujimori, diz procurador

Sede da Odebrecht, em 2 de março de 2017, em São Paulo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. dezembro 2018 - 21:10
(AFP)

A líder da oposição peruana Keiko Fujimori, atualmente presa, pode ser uma das prejudicadas pelo acordo de cooperação assinado entre a construtora Odebrecht e a promotoria peruana no âmbito de uma investigação sobre as contribuições para campanhas políticas, disse um procurador nesta segunda-feira (10).

Por meio desse acordo de colaboração (delação premiada), anunciado no domingo e criticado por alguns políticos, a Odebrecht se comprometeu a fornecer provas para corroborar os depoimentos de seus executivos que deram contribuições ilegais à campanha eleitoral de Keiko Fujimori e quatro presidentes peruanos.

"A informação que a empresa deu, também dentro do acordo, é a informação da rota do dinheiro no caso da Sra. Fujimori", disse o procurador Rafael Vela, coordenador da equipe que investiga o caso da Odebrecht, ao jornal El Comercio.

O procurador enfatizou que o questionamento do acordo vem "principalmente de pessoas cuja posição é investigada, (quem) vai ser prejudicada pelo tratamento da informação".

Bartra, do partido que lidera Keiko Fujimori, criticou o acordo e o montante que a Odebrecht pagará como reparação civil ao Peru.

Segundo o portal de jornalismo investigativo IDL-Reporteros, a Odebrecht pagará 182 milhões de dólares como reparação, mas em parcelas em um prazo de 15 anos.

A primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) está em prisão preventiva há 40 dias enquanto é investigada por supostos aportes da Odebrecht à sua campanha em 2011. Ela nega.

O procurador Vela disse que a "colaboração eficaz" significa "um reconhecimento de culpabilidade", embora o Peru não vá processar os executivos da construtora.

Os procuradores peruanos viajarão em janeiro ao Brasil para interrogar novamente Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru.

A Odebrecht informou em um comunicado no domingo que "o acordo é o marco mais importante de um amplo e profundo processo de colaboração com as autoridades do Peru".

O escândalo da Odebrecht atingiu os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), todos investigados pelo Ministério Público. De todos eles, o único formalmente acusado é Toledo, suspeito de ter recebido US$ 20 milhões em propinas da Odebrecht.

A Odebrecht admitiu em 2016 nos Estados Unidos, que pagou subornos no Peru por 29 milhões de dólares entre 2005 e 2014.

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